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Mostrando postagens de março, 2010

Gertrudes Responde!!!

Continuando nossa reflexão sobre a Rainha Gertrudes, mãe de Hamlet, estou postando aqui uma releitura da personagem feita pela escritora canadense Margaret Atwood (1939 -) para sua coletânea de contos Good Bones (1992). Como não encontrei uma tradução publicada do conto, decidi postar o texto original em inglês, e logo abaixo uma tradução de minha autoria. Na historia abaixo, Atwood recria a cena do closet, mas do ponto de vista da rainha, e apenas ela possui a palavra. Atwood reconstrói Gertrudes numa perspectiva moderna, no seguinte sentido: se o embate entre Gertrudes e Hamlet se desse nos dias de hoje, como a rainha responderia as acusações do filho? O resultado é o conto, que funciona como uma serie de respostas de Gertrudes às situações levantadas por Hamlet na cena do closet original. A percepção de Atwood além de ser muito interessante, vem de encontro à maioria das nossas observações sobre a mãe do príncipe Hamlet. Agora, passo a reflexão para voces. Leiam, tirem suas conclusõ...

MULHERES DE SHAKESPEARE Vol IV - Parte I - Gertrudes

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Neste último capítulo dos nossos volumes sobre as mulheres de Shakespeare, vamos falar sobre duas das mais discutidas figuras femininas no ambito das tragédias escritas pelo dramaturgo: a rainha Gertrudes e Ofélia, ambas retiradas da peça Hamlet, o príncipe da Dinamarca  (1601)   . Na primeira parte deste capítulo, falaremos da Rainha Gertrudes, mãe do príncipe. Na segunda parte, trataremos de Ofélia, grande amor de Hamlet. A tragédia de Hamlet, aquela do famoso monólogo ser-ou-não-ser, é talvez a que possui o herói mais complexo de todas as peças de Shakespeare. Confuso, desconfiado, cético, presunçoso, profundamente sensível e inteligente, o príncipe Hamlet é o centro de uma dúvida quase sem solução - matar ou não matar o assassino do pai, o rei Hamlet, cujo espírito avisa ao filho da emboscada que sofrera. É revelado ainda o nome do conspirador - Claudio, tio do príncipe, é também o atual marido de sua mãe, Gertrudes. A linha de tempo da peça não é sempre...

Apague a luz por uma hora...

E o gênio da semana é...(surprise, surprise...)

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"Nada é tão COMUM, quanto o desejo de ser EXTRAORDINÁRIO."

ENQUETE: Temos um empate!!!

Olá amigos e leitores do blog, A enquete logo aqui ao lado terminou ontem, mas a apuração dos votos resultou em empate entre três personagens: 1. Abigail Williams (As bruxas de Salem) 2. Lolita (Lolita) 3. Blanche Dubois (Um bonde chamado desejo) Preciso que voces desempatem essa parada. Portanto, dei mais uma semana de votação para ver se temos uma pecadora eleita. Conto com vocês! Claudinha Monteiro

No próximo Mulheres de Shakespeare...(Aquecendo II)

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Era um homem triste, sozinho um príncipe estranho no ninho. Até que no sopro do infinito aparece-lhe o pai, em espirito precipitando a revelação de que sua morte foi traição num espectro feito de luz, diz o rei, "faz-me jus!" "honra o sangue descarnado por mesmo sangue derramado!" e eis que o fraterno usurpante toma a rainha como amante tem o trono anunciado Salve Hamlet, príncipe herdeiro do ser e não ser, pioneiro da palavra estremecida vingador de alma perdida pensador do próprio reino Salve suas duas damas bem e mal-interpretadas salve Ofélia, a acanhada alvo de seus vis amores filha de um dos senhores: Polônio, o cão-de-guarda E a rainha-mãe condenada por seu filho, encarcerada em desejos e promessas víuva e casada às pressas silenciosa e encantada e o espectro feito de luz suplica sempre: "faz-me jus!" Eis que Hamlet enlouquecido em seu teatro ensandecido com suas vãs filosofias tem no foco da histeria o nobre Claudio, fratricida rei por ...

A seguir em MULHERES DE SHAKESPEARE (Aquecendo!)

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Hamlet, sua mãe Gertrudes e Ofélia Abaixo, um trecho da cena mais significativa entre Hamlet e a Rainha Gertrudes, sua mãe, também conhecida como a cena do closet . Essa cena será muito importante quando comentarmos das mulheres de Shakespeare na peça. Uma dica: prestem atenção em como Hamlet enxerga a conduta sexual da mãe. GERTRUDES: Que foi que eu fiz pra tua língua vibrar contra mim com esse ódio todo? HAMLET: Olha aqui este retrato, e este ( Mostra a ela retratos do pai e do tio ). Retratos fiéis de dois irmãos. Este era seu marido. Vê agora o que se segue: aqui está o outro marido, como uma espiga podre, contaminando o irmão saudável. Trocaria isto por isto? ( Aponta os retratos ). Desejo, claro, a senhora tem. Do contrário não teria impulsos. Que vergonha! A ausência de se rubor proclama que não é vergonha ceder ao assalto do ardor desenfreado. GERTRUDES: Oh, Hamlet, não fala mais. Você vira meus olhos pra minha própria alma;  e vejo manchas tão negras e indeléveis que j...

Antídoto

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Quando eu verso É por prazer Por mágoa Pelo inverso Da minha alma Que não se cala Para o encanto do pulso, das horas Suspender. Quando eu verso É pelo imenso espaço que falta É pelo inferno Para frear o que penso Parar a chuva , o inverno O frio intenso. Quando eu verso É pela palavra Pela expressão Pelo conflito Quando eu verso É a paga É o instinto E o medo de não ser É para entender O infinito. (14/03 - Dia Nacional da Poesia)

O PECADO DA LEITURA

MEU NOME É MULHER (parabéns a todas nós...)

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Em homenagem ao Dia Internacional da Mulher, um lindo poema de uma batalhadora, que resume bem a ideia deste blog: Meu nome é mulher No princípio eu era Eva Nascida para a felicidade de Adão E meu paraíso tornou-se trevas Porque ousei libertação. Mais tarde fui MARIA Meu pecado remiria Dando à luz aquele Que traria a salvação Mas isto não bastaria Para eu encontrar perdão! Passei a ser AMÉLIA A mulher de verdade Para a sociedade. Não tinha a menor vaidade, Mas sonhava com igualdade. Muito tempo depois decidi: não dá mais. Quero a minha dignidade, Tenho meus ideais! Mas o preconceito atroz Meus 129 nomes queimou. Então, o mundo acordou Diante da chama lilás! Hoje, não sou só esposa ou filha Sou pai, mãe, arrimo de família, Sou ourives, taxista, piloto de avião, Policial feminina, operária de construção! Ao mundo peço licença, Para atuar onde quiser Meu sobrenome é Competência O meu nome é MULHER! Autora: "Pérola Neggra" Soldado Fem PM ...

MAU ROMANCE

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(Original: "Bad Romance" - L. Gaga/Germanotta/Stefani/Khayat/Nadir) (Tradução: Claudinha M.) Eu quero o seu horror E quero a sua doença Eu quero tudo que for Desde que te peça Eu quero seu amor Eu quero o seu teatro e quero as suas mãos eu quero seu beijo mascarado cravejado, em ação Eu quero o seu amor Eu quero seu amor E quero o seu sangue Eu e você criando um mau romance Eu quero seu medo E quero o seu eu Quero o seu crime Desde que seja meu Eu quero o seu amor... Quero o seu trauma Quero o seu prazer Quero a sua calma Quando eu enlouquecer Eu quero seu amor... Eu quero seu amor E quero o seu sangue Eu e voce criando Um mau romance Presos num mau romance...

MULHERES DE SHAKESPEARE Vol. III - Cordélia

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Harold Bloom afirma, em seu Shakespeare e a Invenção do Humano (2000), que Rei Lear (1606) é uma tragédia shakespeariana sobre o amor em excesso. Bloom se refere ao amor filial, aos desencontros dos relacionamentos em família. Rei Lear não é tanto sobre a loucura do protagonista, mas sobre os motivos pelos quais o protagonista enlouquece; de acordo com Bloom, o amor é o tema central que propicia o desenvolvimento positivo ou negativo de todos os personagens. Se nos ativermos aos personagens femininos, veremos que as representações de amor são determinantes no destino das filhas de Lear – Regan, Goneril e Cordélia. O que pretendemos com este post é entender a relação complexa que se estabelece entre a personalidade de Cordélia e o amor, da forma como é representado na trama – isto é, devastador, afetado, sempre em excesso (Bloom, 2000). Vamos explicar melhor com perguntas: de que forma Cordélia reage à manifestação amorosa, sobretudo em relação ao pai, Lear? Como essas reações carac...