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Mostrando postagens de outubro, 2009

Série ELAS POR ELES (Episódio II)

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Talvez sonhasse, quando a vi. Mas via  Que, aos raios do luar iluminada, Entre as estrelas trêmulas subia Uma infinita e cintilante escada.                                                                                                              E eu olhava-a de baixo, olhava-a... Em cada Degrau, que o ouro mais límpido vestia, Mudo e sereno, um anjo a harpa dourada, Ressoante de súplicas, feria... Tu, mãe sagrada! Vós também, formosas Il...

Espectro

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Minha alma torpe, torta, triste Esfomeada, carente demais Vive armada, dedo em riste Malcriada e incapaz Minha alma manca, sem beleza Animal sem nome nem olhar Minha alma acuada gagueja Tira tudo do lugar Minha alma atropelada Prepotente, singular Incolor e acorrentada Nunca sai de onde está Está sempre apaixonada Como estrela incandescente,                                                         Impotente e dependente                                                ...

Mulheres que Pecam N. 4 - Não Perca!

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"Lúcia saltava sobre a mesa. Arrancando uma palma de um dos jarros de flores, trançou-a nos cabelos, coroando-se de verbena, como as virgens gregas. Depois agitando as longas tranças negras, que se enroscaram quais serpes vivas, retraiu os rins num requebro sensual, arqueou os braços e começou a imitar uma a uma as lascivas pinturas; mas a imitar com a posição, com o gesto, com a sensação do gozo voluptuoso que lhe estremecia o corpo, com a voz que expirava no flébil suspiro e no beijo soluçante, com a palavra trêmula que borbulhava dos lábios no delíquio do êxtase amoroso."

Lucíola

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Afasto por um momento A minha alma do corpo cansado, em tormento carente de um esforço O que procuro é luz.  E sangue. E natureza. O que procuro é a essência Num rabo de estrela Que nos meus olhos espelha a reminiscência...                                                                      O que encontro é um pormenor                                                  ...

O próximo MULHERES QUE PECAM...

... "é o lampiro noturno que brilha de uma luz tão viva no seio da treva e à beira dos charcos. Não será a imagem verdadeira da mulher que no abismo da perdição conserva a pureza d'alma?" (Autor, prefácio de 1862) 

Série ELAS POR ELES

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A partir de hoje publicarei periodicamente uma série de poesias dedicadas às mulheres, feitas pelos mais diversos escritores através dos tempos. Serão 10 episódios, cada um contendo duas obras, preferencialmente de autores de épocas distintas. Vamos ver como o olhar masculino sobre a mulher é construído, e o quanto este olhar pode ter se modificado, adaptado, ou simplesmente se excepcionado da maioria. Mais tarde, faremos um balanço dessas observações. Para começar, dois grandes poetas brasileiros. Um, autor consagrado também na nossa literatura, morto no inicio do século passado; e o outro, consagrado sobretudo na nossa música, morto na segunda metade do mesmo século. MACHADO DE ASSIS (1839 - 1908) Quando Ela Fala Quando ela fala, parece Que a voz da brisa se cala; Talvez um anjo emudece Quando ela fala. Meu coração dolorido As suas mágoas exala, E volta ao gozo perdido Quando ela fala. Pudesse eu eternamente, Ao lado dela, escutá-la, Ouvir sua alma inocen...

MULHERES QUE PECAM N.4 - EMMA BOVARY (Parte II)

A mudança para uma cidade mais movimentada inaugura, portanto, a Parte II do romance. Num ambiente mais dinâmico, porém ainda com características rurais, Emma parece fazer um esforço de auto-controle. Sua obsessão pela boa aparência começa a se acentuar a partir deste ponto, por ocasião de uma maior facilidade de consumo. A transformação do desejo em necessidade passa a ter uma ênfase maior, na medida em que Emma se entrega a um consumo desenfreado, como que preenchendo um espaço vazio. A aparência sempre impecável, ressaltando a sua beleza natural, funciona como uma segunda pele, que esconde uma mulher triste, e uma mãe quase negligente. A filha representa, para Emma, a prova viva do seu infortúnio, e ela não consegue lidar com a criança, muito embora não a odeie. Precisamente por isso há pouquíssimas menções ao bebê nos primeiros capítulos da Parte II da narrativa. A criança parece não fazer parte dos seus planos, ou de suas lembranças. É para encobrir essa amargura, como também a cu...

Rebelde

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Na minha vida junto os pedaços Num chão de sonhos partido Num rastro de amores ferido Na ponta dos pés eu abro os braços Levo sempre tudo comigo Perco o equilíbrio, e o espaço Minha fala manca, meus passos Meu verso torto é meu abrigo O meu longo caminho é um pequeno ninho de enormes fendas e eu vivo no encalço não espero que entendas os meus percalços minha vontade é um vicio e minha tristeza, um arbítrio. (by Claudinha)

MULHERES QUE PECAM N. 4 - EMMA BOVARY (Parte I)

Emma Bovary é um dos personagens femininos mais complexos da literatura romântica. É sugestivo, em todos os sentidos, que seja uma mulher. Seu dom para a transgressão, sua personalidade ao mesmo tempo turbulenta e frágil, sua necessidade extrema de repudiar uma realidade que a oprime, através de subterfúgios igualmente extremos, muitas vezes vis, e cuja acumulação sela o seu destino à inevitável fatalidade. O texto de Madame Bovary, elaborado sob medida para a protagonista, é uma narrativa intensa, de um potencial tanto romântico quanto analítico – enfim, uma fábrica de imagens gradualmente reveladoras. Será que Gustave Flaubert tinha uma leitura incomum da alma feminina? Não há como precisar. O fato é que, em algum momento da sua criação estética, o seu Madame Bovary acabou se tornando uma obra de arte, lançando um olhar original sobre a representação feminina no romance. O desenvolvimento desta individualidade conflitante de Madame Bovary, - isto é, o seu comportamento, o seu pensa...

Romântica. Ingênua. Amante. Passional. Sublime. Reservada. Adúltera. Teimosa. Provocativa. Audaciosa. Desesperada - Esta é a MULHERES QUE PECAM N.4