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Mostrando postagens de julho, 2009

MULHERES QUE PECAM N. 3 - DUAS PISTAS

Deus, para a felicidade do homem, inventou a fé e o amor. O Diabo, invejoso, fez o homem confundir fé com religião e amor com casamento. Machado de Assis A mente é um lugar em si mesma e pode fazer do inferno um paraíso e do paraíso um inferno. John Milton

Pecado, II

EU tenho esse desejo que é algo como um grito um pedido, um soluço alguma coisa em riste um rasgo no espírito um riso disparado sem limite um sufocamento. by Claudinha

FRASE DO DIA

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Simone de Beauvoir "Que nada nos limite. Que nada nos defina. Que nada nos sujeite. Que a liberdade seja a nossa própria substância."

Profanando Blake

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De vez em quando gosto de tentar traduzir meus poemas favoritos. Abaixo uma tentativa humilde de traduzir um poema que gosto muito: The Tiger , de William Blake (1757-1827). Tigre, Tigre, intenso brilhar Nas florestas do luar Que imortal mão ou olhar Pôde tua feia simetria moldar? Em que distantes céus e vales, Arde o fogo dos teus olhares? Em que asas se atreve a voar? Qual mão se atreve o fogo pegar? E qual força, e qual imaginação Criou as raízes de teu coração? Quando teu coração acelerou Que mão pavorosa teus pés engendrou? Qual martelo? Qual corrente? Em que forno estava a tua mente? Que bigorna? Que nós assustadores, Abrocharam os teus mortais terrores? Quando as estrelas suas flechas lançaram, E todo o céu de lágrimas molharam Será que sua obra O fez sorrir? Será que Ele criou o cordeiro e a ti? Tigre, Tigre, intenso brilhar Nas florestas do luar Que imortal mão ou olhar Pôde tua feia simetria moldar?

Catherine Earnshaw - cont.

A forma como Emily Brontë compõe a sua heroína é através de um romantismo imaginativo, introspectivo, uma luta interna constante e inútil. O personagem se debate com si mesmo, como se fosse um corpo habitado por diferentes almas cujos poderes se equiparam. Essa abordagem se identifica com a personalidade da própria autora, descrita pela irmã Charlotte. Nesse aspecto, o elemento metafísico parece inevitável no romance, e Catherine passa de presença terrena a presença etérea, um fantasma da vida que Heathcliff não pode ter. O amor obsessivo de Heathcliff o assombra até o fim da trama, quando o fantasma de Catherine finalmente vem buscá-lo. Assim, o que seria uma união passional frustrada torna-se uma união espiritual atormentada, cercada de obsessão e ódio – portanto bem distante da união espiritual professada no matrimonio convencional. A antiga casa dos Earnshaw, onde Heathcliff passou uma infância conturbada ao lado de Catherine, é descrita como um antro de tristeza e solidão. Comprad...

Mulheres que Pecam n. 2 - Catherine Earnshaw

Uma boa forma de começar a entender Catherine Earnshaw, ou Catherine Heathcliff, ou Catherine Linton – como ela costumava alternar em seu diário em O Morro dos Ventos Uivantes – é considerar as afirmações de Charlotte Bronte acerca do livro e, principalmente, acerca da autoria do livro, Emily Bronte. De acordo com Charlotte, Emily tinha uma visão distanciada, porém profunda e muito particular, do mundo exterior. As lacunas provenientes deste afastamento foram invariavelmente preenchidas com uma imaginação poderosa, catártica, com um forte veio trágico. Emily, conforme nos apresenta Charlotte, é um “espírito livre”, uma criatura dos charcos, envolta em escuridão e beleza. Esta descrição parece caber quase que completamente na personalidade de sua Catherine, heroína trágica do romance de Emily Bronte. Gilbert & Gubar (2000) – minha bibliografia essencial para a dissecação da escrita feminina – compara o aspecto metafísico de O Morro dos Ventos Uivantes e o terror científico do Franke...

O Morro dos Ventos Uivantes, por Charlotte Brontë...

A respeito da rusticidade de "O Morro dos Ventos Uivantes", eu admito a acusação, porque eu sinto a qualidade. O livro é rústico do início ao fim. É pantaneiro, selvagem e baralhado como a raiz de uma árvore. E não seria natural se fosse de outra maneira; a autora sendo uma cria dos charcos. Sem dúvida, se ela tivesse nascido na cidade, suas escritas teriam uma outra personalidade. Ou se ela tivesse escolhido um tema diferente, poderia tê-lo tratado de um jeito diferente. Se Ellis Bell [pseudônimo de Emily Brontë] tivesse sido uma dama ou um cavalheiro acostumado com o que se chama de "mundo", sua visão de uma região remota e inexplorada, bem como daqueles que nela vivem, teria divergido enormemente daquilo que considera uma garota criada no campo. Sem dúvida teria sido mais abrangente; se teria sido mais original ou mais verídico não se pode afirmar. Com relação ao cenário e locação, não poderiam ser mais simpáticos: Ellis Bell não os descreveu como alguem cujo olh...

Emily, por Charlotte Brontë...

Na natureza de Emily os extremos do vigor e da simplicidade pareciam se encontrar. Sob uma cultura não-sofisticada, gostos não-artificiais, e uma aparência despretensiosa, morava um poder secreto e um fogo que podia inflamar a mente e o sangue nas veias de um herói; mas ela não tinha nenhuma sabedoria secular; seus poderes não eram adaptados para a vida prática: ela não conseguia defender seus direitos mais declarados, ou aproveitar-se de sua vantagem mais legítima. Devia sempre haver um intérprete entre ela e o mundo. Sua vontade não era muito flexível, e geralmente ia contra seus interesses. Seu gênio era magnânimo, mas esquentado e impulsivo; seu espírito era completamente livre. (nota biográfica publicada na edição de 1850 de O morro dos ventos uivantes) (tradução de minha autoria)

No próximo "Mulheres que pecam"....

Aguardem...
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Quero a injustiça, a cegueira, Quero a inconsciência fatal Quero a dor aguda, a força, Quero o desespero, o mal. Quero os pedaços grandes Quero a mágoa crua Quero a tristeza Quero o ciúme, a crueldade, Quero o fogo, e a beleza. Quero o cheiro, o gosto, o toque, Quero o carrasco encantamento Quero todos os arrependimentos Quero o vício, quero a sorte. Quero todos os sentidos Quero as flechas dos cupidos Quero a vida inteira Antes da morte. Pecado, by Claudinha