Tinha todos os defeitos. Insubordinada, voluntariosa, metida. Tinha aquela teima rudimentar. Gostava demais de rir, e quando podia, falava muito, nem que fosse com as paredes. Não conhecia medida de nada - pensamento, sentimento, tudo ia longe, tudo parecia a eterna felicidade ou um contínuo sofrimento. Madalena era assim, rainha de si, sua própria bomba-relógio. Passava na rua um dia, e um idoso cabisbaixo pediu uma esmola. Solícita, Madalena deu todos os seus trocados. Ao agradece-la, o homem disse: "Vamos fazer uma aposta?" A pergunta pegou Madalena de surpresa. "Como assim?" "Uma aposta. E antes que Madalena respondesse, continuou: "E um aviso: nem todo caminho é curto." "Como assim?" Madalena perguntou. "Voce não sabe aonde quero chegar" "Nem você", e o velho abriu um sorriso sem dentes. "Paciência, moça. Olhe para o lado, respire. Voce passa pela vida como um furacão. E quando olha para trás...