Rosa era esperta. Gostava de andar de bicicleta, de pular corda. Gostava de clipes, apliques, repiques. Gostava de rir, de dançar, de balançar os cabelos e pintar os lábios de vermelho. E gostava muito, mas muito mesmo, de meninos. As professoras diziam que ela tinha cabelo nas ventas – seja lá o que fosse isso. Mais uma dessas coisas que só pais, professores, e avós dizem. Não tinha muita paciencia com eles. Mas tinha mesmo muita energia. Que que tem isso? Porque tinha que se cercar de bonecos, chocolates e figurinhas, fazer furos no meio da laranja, testar as mãos nas amiguinhas, se podia simplesmente escolher um menino? Nunca entendeu o talento das pessoas de complicar tanto as coisas mais simples. E tinha uma raiva danada, muito grande mesmo, dessa historia de que tem hora certa pra tudo. Achava isso uma enorme, grandississima palhaçada! Afinal, ela já tinha catorze anos! Que diabo! Porque podia aprender a ler, varrer a casa, cozinhar, andar de salto, e não podia beijar, abr...