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EVELINE, de James Joyce, e o pecado da inércia

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Eveline , conto de James Joyce escrito para a coletanea Dublinenses , retrata o fluxo de consciencia de uma mulher que, ao contrário de várias de nossas outras transgressoras, não está em pleno movimento. A protagonista, uma jovem de 19 anos que pondera o proprio futuro enquanto contempla a paisagem de uma soturna Dublin, difere de nossas outras heróinas porque não peca pelo excesso de coragem, mas pela falta dela. Contrastando juventude e inércia, Eveline é uma mulher ao mesmo tempo oprimida e dependente de uma realidade, muitas vezes, abusiva. Joyce começa o conto criando uma atmosfera de introspecção e contemplação do futuro. A protagonista, de apenas 19 anos, pretende fugir de casa com o namorado, um marinheiro. O tempo da narrativa flutua entre a realidade da véspera da fuga de Eveline e o passado descrito através de suas memórias, mas essa oscilação faz parte do exercício de ponderação de Eveline: como fora sua vida até ali? como seria sua vida dali em diante? Tudo dependia da...

EVELINE (Final)

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Lá estava ela no meio da multidão ondulante na estação de embarque de North Wall. Ele segurava-lhe a mão e ela sabia que estava se dirigindo a ela, repetindo alguma coisa a respeito das passagens. A estação estava repleta de soldados carregando malas marrons. Através dos largos portões do embarcadouro ela podia ver o vulto negro do navio, atracado ao longo do cais com as vigias iluminadas. Ela nada respondia. Sentia o rosto pálido e frio e, num labirinto de aflição, rezou pedindo a Deus que lhe guiasse, que lhe apontasse o caminho. O navio lançou dentro da névoa um silvo longo e triste. Se partisse, amanhã estaria no mar ao lado de Frank, navegando em direção a Buenos Aires. As passagens dos dois já estavam compradas. Seria possível voltar atrás depois de tudo o que ele fizera por ela? A aflição que sentia lhe provocava náuseas e ela continuava a mover os lábios rezando fervorosamente em silêncio. Um sino repicou em seu coração. Deu-se conta de que ele lhe agarrara a mão: — Vem! Todo...

EVELINE (Parte 1)

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Ela sentou-se à janela para ver a noite invadir a avenida. Encostou a cabeça na cortina e o odor de cretone empoeirado encheu-lhe as narinas. Sentia-se cansada. Poucas pessoas por ali passavam. O sujeito que morava no fim da rua passou a caminho de casa; ela ouviu seus passos estalando na calçada de concreto e em seguida rangendo sobre o caminho coberto com cascalho em frente às casas vermelhas. Tempos atrás havia ali um terreno baldio onde eles brincavam toda noite com os filhos dos vizinhos. Mais tarde um indivíduo de Belfast com­prara o terreno e construíra casas — mas não eram casas pequenas e escuras como aquelas em que eles moravam; eram casas vistosas de tijolo e com telhados luzidios. As crianças que moravam na avenida costumavam reunir-se para brincar naquele terreno — crianças das famílias Devine, Water, Dunns, o pequeno Keogh, que era manco, ela e seus irmãos e irmãs. Ernest, no entanto, nunca brincava: já estava crescido. O pai dela muitas vezes enxotava-os do terreno com...

No próximo Mulheres que Pecam estaremos com....

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James Augustine Aloysius Joyce  ( Dublin ,  2 de fevereiro  de  1882  —  Zurique ,  13 de janeiro  de  1941 ) foi um  romancista ,  contista  e  poeta   irlandês   expatriado . É amplamente considerado um dos autores de maior relevância do  século XX . Suas obras mais conhecidas são o volume de contos  Dublinenses / Gente de Dublin  ( 1914 ) e os romances  Retrato do Artista Quando Jovem  ( 1916 ),  Ulisses  ( 1922 ) e  Finnegans Wake  ( 1939 ) - o que se poderia considerar um "cânone joyceano". Também participou dos primórdios do modernismo poético em língua inglesa, sendo considerado por  Ezra Pound  um dos mais iminentes poetas do  imagismo . Embora Joyce tenha vivido fora de seu país natal pela maior parte da vida adulta, suas experiências irlandesas são essenciais para sua obra e fornecem-lhe toda a ambientação e muito da temática. Seu universo fic...