Quando eu tinha doze anos, meu pai me deixou andar de ônibus sozinha. Era uma distância pequena, mas a liberdade era grande. A maior que eu já tinha conseguido em casa. Nunca tinha me sentido tão dona de mim até então. Aos doze, independência era tudo e eu pensava – porque, na boa, eu não era mais criança, né? Eu até já falava palavrão… desde os dez, na verdade. Mas nunca dentro de casa. Papai achava feio o baixo calão em boca de menina. Eu nunca dei a mínima, minhas amigas todas falavam. E eu nunca fui de levar desaforo para casa – assim, se você leva um coice, não vai mandar educadamente a pessoa lamber sabão. Eu, pelo menos, sempre preferi, com toda a educação, mandar a pessoa à merda…sabe, com uma enorme exclamação no final. É mais poderoso, é um recado que impõe respeito. Mas eu falava do ônibus. Eu ia começar num curso de inglês às segundas e quartas. Então, quando chegou o domingo, nem dormi direito. Até escolhi a roupa que ia usar no dia seguinte, coisa que nunca faço. Nunca ...