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Mostrando postagens de julho, 2010

COMPARAÇÃO

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pior que voce… é ceder às coisas pequenas o chão do quarto envelhecido a chuva na janela, caindo… pior é o medo, o inimigo de toda luta e todo segredo no meio dos versos, das cartas agredindo as nossas palavras… pior que voce… é entender e sucumbir à toda renuncia e todo castigo pior é ouvir o incomensurável silêncio um rastro frio, um fogo intenso pior é a alma inevitavelmente sumir. Claudinha Monteiro

Tear

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Quando penso em você Penso em chuva ao entardecer Ouço um som de riso triste Um quê de não existe, não ser. Quando penso em você Penso em verso, distante, Não sei dizer, é como um grito, Impávido infinito, gigante. Quando penso em você Penso em areia entre os dedos Vejo o mal que me fiz, o medo, E se eu fui feliz, não lembro. Claudinha Monteiro

Os monstros de Nelson Rodrigues

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“Eu não quis esquecer, eu não quis fugir, eu não tive medo nem vergonha de nada. Não botei meus filhos no mundo para dar a outra mulher!” (Senhorinha – ato III) Album de Familia: uma tragédia em três atos foi a terceira incursão de Nelson Rodrigues pelo teatro, e talvez a mais polêmica. Foi encenada pela primeira vez em 1945, censurada em 1946 e só voltou a ser lida 19 anos depois. O motivo? Uma “rajada de monstros” espalhada pelo palco, como o próprio Nelson gostava de definir. A peça gira em torno de retratos da vida de uma família durante 26 anos, nem tanto contrapondo imagem e realidade, mas chocando pela perspectiva grotesca e surreal. É uma familia enquanto estrutura social, mas esta contrasta diretamente com a estrutura emocional de seus membros que, a rigor, não existe. Tudo é exacerbado, cru, quase dionisíaco – e absurdamente proposital. Vamos focar, como não poderia deixar de ser, nos personagens femininos. Mas o nosso objetivo, de certa forma, vai de encontro ao desenv...

Aos meus amigos...

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Amor que não se acaba Amor que se iguala em todos os momentos; Amor que se contenta com o seu intento Do lado esquerdo não se separa… Amor de presente que ouve e que fala Amor que resvala nos poros da gente Amor que se encontra no meio da estrada Amor que se aponta sem medo, sem nada… Amor que não trai e nem se arrepende Amor que se entende com quem se chegar; Amor que critica e que comprimenta amor que acalenta e não sai do lugar. Amor que é por amar Sem inverno, sem sacrifício É um amor que não beija não encarna, não deseja Amor que é um exercício da propria delicadeza Sua força, sua beleza está na ausência do vício.

LUCIA

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Quando eu tinha doze anos, meu pai me deixou andar de ônibus sozinha. Era uma distância pequena, mas a liberdade era grande. A maior que eu já tinha conseguido em casa. Nunca tinha me sentido tão dona de mim até então. Aos doze, independência era tudo e eu pensava – porque, na boa, eu não era mais criança, né? Eu até já falava palavrão… desde os dez, na verdade. Mas nunca dentro de casa. Papai achava feio o baixo calão em boca de menina. Eu nunca dei a mínima, minhas amigas todas falavam. E eu nunca fui de levar desaforo para casa – assim, se você leva um coice, não vai mandar educadamente a pessoa lamber sabão. Eu, pelo menos, sempre preferi, com toda a educação, mandar a pessoa à merda…sabe, com uma enorme exclamação no final. É mais poderoso, é um recado que impõe respeito. Mas eu falava do ônibus. Eu ia começar num curso de inglês às segundas e quartas. Então, quando chegou o domingo, nem dormi direito. Até escolhi a roupa que ia usar no dia seguinte, coisa que nunca faço. Nunca ...

EXCUSA

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Só quero que saibas que o meu cansaço meu embaraço meu desentendimento é só um lamento por tempos escassos é um descompasso de sentimentos... Só quero que saibas que não me prendo não me arrependo dos meus passos mas se eu te abraço é porque entendo eu não me remendo pelo que eu faço... Só quero que saibas e quero que sorrias que veja o desejo que te iludias quem sabe um dia quando o meu beijo puder afinal trair a minha ironia? quem sabe um dia com a experiência, com a paciencia, alguma alegria...

VESTÍGIO

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  amor é sempre amor. nao importa se passou... não importa o que ficou... não importa a dor. não importa o espaço que ocupou nem o que levou e se à vida ensinou ou o que arrebatou... amor é sempre amor. sempre um abraço, sempre um laço que o tempo não soltou.

Musica para Engraçadinha - Adoro Tango...

Não lhe peço nada mas se acaso você perguntar por você não há o que eu não faça Guardo inteira em mim a casa que mandei um dia pelos ares e a reconstruo em todos os detalhes intactos e implacáveis Eis aqui bicicleta, planta, céu, estante cama e eu logo estará tudo no seu lugar Eis aqui chocolate, gato, chão, espelho, luz, calção no seu lugar pra ver você chegar

Engraçadinha - a Lolita de Nelson Rodrigues

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A trama de Asfalto Selvagem , ou Engraçadinha – seus amores e seus pecados , é um tango clássico, uma drama folhetinesco extremo. Engraçadinha – nome, apelido, ou ironia subjetiva, já que de engraçadinha ela não tem nada – é uma adolescente vaidosa, sarcástica, e com um olhar profundamente cruel daqueles que a cercam. Tem uma consciência precoce da própria sexualidade, uma total admiração por si mesma. Manipula calculadamente o pai, as tias mais velhas, o tio pedante, o padre, os primos. É a ninfa rodriguiana fundamental – atrai, seduz e destrói. A historia de Engraçadinha se divide em dois livros, que cobrem períodos distintos de sua vida. O primeiro livro conta a vida de Engraçadinha dos 12 aos 18 anos. O segundo livro mostra Engraçadinha depois dos 30 anos. O contraste entre a Engraçadinha jovem e a madura é que mostra o grau de frustração com que Rodrigues constrói sua protagonista feminina. A Engraçadinha jovem é petulante, aventureira, e dona de uma vontade primitiva, um desejo...

Quatrilho...

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Imagem: Guerreiro Nu com Lança Theodore Gericault (1791-1824) Aí está você Que olha e não vê Vê e não entende Entende e não quer saber Aí está você Sem como nem porque Não se mexe nem se explica Não tem o que dizer Você, que vem Com a sua natureza Aquém do sentimento Além de toda tristeza Diminui o seu valor Sua vida sem amor Numa cantada, num inverno Passou, passou...