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Mulheres de Shakespeare Vol. IV - parte II - Ofélia

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Nesta última parte das Mulheres de Shakespeare, estaremos discutindo a personagem Ofélia, por quem o principe Hamlet era apaixonado. A natureza do amor compartilhado por Ofélia e Hamlet é motivo de opiniões bastante controversas; há quem opine que houve relação sexual entre os dois - o que justificaria em certa medida o extremo descontrole emocional de Ofélia ao saber que Hamlet matara seu pai, Polônio. Na versão para o cinema dirigida por Kenneth Branagh (1996), que carrega a fama de ser a única que filmou a obra sem edições, foram incluídas cenas de sexo entre o casal. Embora estas cenas não constem do texto original da peça, permaneceram coerentes ao contexto que envolve o relacionamento dos personagens, com discursos sempre ambíguos, sugerindo um diálogo implícito. A tensão sexual entre os personagens, no entanto, é evidente - Como na cena em que Hamlet rejeita Ofélia ao perceber que ela se aproximara dele a pedido de Polônio e Gertrudes: HAMLET: Se você é honesta e bonita, sua...

Gertrudes Responde!!!

Continuando nossa reflexão sobre a Rainha Gertrudes, mãe de Hamlet, estou postando aqui uma releitura da personagem feita pela escritora canadense Margaret Atwood (1939 -) para sua coletânea de contos Good Bones (1992). Como não encontrei uma tradução publicada do conto, decidi postar o texto original em inglês, e logo abaixo uma tradução de minha autoria. Na historia abaixo, Atwood recria a cena do closet, mas do ponto de vista da rainha, e apenas ela possui a palavra. Atwood reconstrói Gertrudes numa perspectiva moderna, no seguinte sentido: se o embate entre Gertrudes e Hamlet se desse nos dias de hoje, como a rainha responderia as acusações do filho? O resultado é o conto, que funciona como uma serie de respostas de Gertrudes às situações levantadas por Hamlet na cena do closet original. A percepção de Atwood além de ser muito interessante, vem de encontro à maioria das nossas observações sobre a mãe do príncipe Hamlet. Agora, passo a reflexão para voces. Leiam, tirem suas conclusõ...

MULHERES DE SHAKESPEARE Vol IV - Parte I - Gertrudes

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Neste último capítulo dos nossos volumes sobre as mulheres de Shakespeare, vamos falar sobre duas das mais discutidas figuras femininas no ambito das tragédias escritas pelo dramaturgo: a rainha Gertrudes e Ofélia, ambas retiradas da peça Hamlet, o príncipe da Dinamarca  (1601)   . Na primeira parte deste capítulo, falaremos da Rainha Gertrudes, mãe do príncipe. Na segunda parte, trataremos de Ofélia, grande amor de Hamlet. A tragédia de Hamlet, aquela do famoso monólogo ser-ou-não-ser, é talvez a que possui o herói mais complexo de todas as peças de Shakespeare. Confuso, desconfiado, cético, presunçoso, profundamente sensível e inteligente, o príncipe Hamlet é o centro de uma dúvida quase sem solução - matar ou não matar o assassino do pai, o rei Hamlet, cujo espírito avisa ao filho da emboscada que sofrera. É revelado ainda o nome do conspirador - Claudio, tio do príncipe, é também o atual marido de sua mãe, Gertrudes. A linha de tempo da peça não é sempre...

A seguir em MULHERES DE SHAKESPEARE (Aquecendo!)

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Hamlet, sua mãe Gertrudes e Ofélia Abaixo, um trecho da cena mais significativa entre Hamlet e a Rainha Gertrudes, sua mãe, também conhecida como a cena do closet . Essa cena será muito importante quando comentarmos das mulheres de Shakespeare na peça. Uma dica: prestem atenção em como Hamlet enxerga a conduta sexual da mãe. GERTRUDES: Que foi que eu fiz pra tua língua vibrar contra mim com esse ódio todo? HAMLET: Olha aqui este retrato, e este ( Mostra a ela retratos do pai e do tio ). Retratos fiéis de dois irmãos. Este era seu marido. Vê agora o que se segue: aqui está o outro marido, como uma espiga podre, contaminando o irmão saudável. Trocaria isto por isto? ( Aponta os retratos ). Desejo, claro, a senhora tem. Do contrário não teria impulsos. Que vergonha! A ausência de se rubor proclama que não é vergonha ceder ao assalto do ardor desenfreado. GERTRUDES: Oh, Hamlet, não fala mais. Você vira meus olhos pra minha própria alma;  e vejo manchas tão negras e indeléveis que j...