Uma estratégia narrativa muito presente em Lucíola (1862), como em outras obras de José de Alencar, é a tendência a convergir palavra e imagem, é fazer o livro passar na fantasia do leitor como um filme, ou uma seqüência de enormes paisagens. Não é uma estratégia gratuita. O uso contínuo de cores e formas na descrição dos eventos em suas tramas parece ter o intuito de antecipar uma ligação inconsciente com o imaginário do leitor, facilitando a criação de um reflexo, uma relação verossímil com a sua própria realidade. Os ‘quadros’ pintados por Alencar revelam uma palavra ao mesmo tempo pitoresca e dúbia, armazenando nos personagens diversos modos de agir e/ou conduzir. Cabe à Lúcia, expressão máxima de ambigüidade poética do romance, a missão de representar o claro e o escuro, a máscara do rebaixamento social escondendo a generosidade, o sentimento, a elevação de espírito que personagens coadjuvantes não parecem ser capazes de exprimir. Cabe à Lúcia de Alencar o privilégio de pr...