PENÉLOPE
QUANDO ela acordou, já estava tudo acabado. Ainda havia flores sobre a cama, no chão, no armário. Ainda tinha vinho sobre o criado-mudo. Tudo ainda estava tão completamente quieto. Um perfeito ocaso de uma noite de sexo. Perfeitamente insuportável. Ele ainda estava perto demais. Precisava se controlar. Tinha certeza de que era um bom homem, talvez o melhor que ela pudesse encontrar, ou merecer. Mas o vazio era imenso. Era um enorme estomago, contorcido em úlceras e faminto. No meio de noites como essa, ele sangrava como nunca. E no início das manhãs, continuava sangrando, como sempre. Era triste, mas tinha fome de tudo. Tinha esse jeito torto de gostar, e gostava muito, mas não sabia bem do que. Da vida, talvez. De beber demais, comer demais, de sair correndo para o meio da rua, e sentir a chuva e sol no rosto. Mas por mais que tentasse, não conseguia gostar dele. Era a calmaria. A rotina. O embaraço. Era o passar de dias que se arrastavam, e a noite talvez uma surpresinha, uma ta...