A Pele (e por falar em Lolita...)

Em um lindo dia quente
vinha o lobo descontente
com as garras afiadas,
com a mente esfomeada;
e a boca de saliva
reclamava reativa
pela mata encarcerada;

Em seus olhos desfilava
os rebanhos, as manadas;
e o encanto dos primeiros
era a pele dos cordeiros
cujo cheiro o atiçava;
ah cordeiro, ele pensava
se não fosses um inteiro
me fazia alcoviteiro
para ti me insinuava...

mas enquanto viajava
pela chuva de palavras
eis que surge uma pracinha
e uma linda cordeirinha
que tomava a luz do sol.
e o lobo com seu rol
de escuras fantasias
esquecera a poesia
tamanha visão que tinha...

ah! cordeira inocente
já inundas minha mente
de belos sonhos vis;
os teus risos de anis
teu olhar, bela matreira
mais parece a feiticeira
dos meus tempos infantis...

Pois assim o lobo diz
Tal é a fome infeliz
que habita suas entranhas.
e armado de artimanhas
vai-se o lobo à pronta caça
mas eis que o que o ameaça
é um cordeiro de pele estranha...

...que fumando um chachimbo
do outro lado do limbo
avistara a cordeirinha;
e a caça vira rinha
entre o lobo marqueteiro
e a pele de cordeiro
lã de pura ladainha...

passa o luz do meio dia
e o sol da cordeirinha
já alcança o poente;
mas seus olhos inocentes
veem os lobos acirrados
e o que estava disfarçado
cai no chão inconsciente.

e o lobo então poeta
dera a caça como certa,
que vinha em sua direção;
mas no que lhe estendeu a mão
viu que o sangue lhe escorria
e que a caça lhe sorria
com sua vara de condão.

Ah! ninfa, que desastre!
minha vida tu roubaste
como um sonho destroçado
minha alma, meu pecado
afundado em beleza
só me resta a tristeza
de um amor desencantado. 

Comentários

Líricos Olhares disse…
Amei demais este, humn, mas quero ler mais para saber por que as mulheres pecam! Parabéns pelo blog, gostoso de ver, sentor, adorei a gravura representativa do espaço, beijos meus!

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