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Mostrando postagens de 2009

MULHERES QUE PECAM N. 7 - Edição Especial p. III

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Para terminar esta edição especial, vamos falar da mais polêmica das figuras femininas dentro da narrativa da Bíblia: Maria Madalena. Figura profundamente controversa, cuja origem e história não estão descritas de forma clara nos evangelhos do Novo Testamento, Madalena é a mais mencionada companhia feminina de Jesus Cristo, depois da Virgem Maria. Creio que podemos dizer que Madalena seria uma das visões de amor que cercam a historia de Jesus. Assim como o amor de Maria, o amor simbolizado na figura de Madalena não é algo que vá estar explicitado nos livros canônicos. O amor materno é uma demonstração de poder associado à femininidade e carrega consigo um forte apelo emocional, e erótico. O amor romântico é desestrurador, sujeito às vicissitudes da carne e, por conseguinte, desestabiliza o discernimento. A volubilidade do amor romântico também é um aspecto frequentemente associado ao feminino. Nenhum desses sentimentos, portanto, é pertinente à narrativa canônica. Os evang...

MULHERES QUE PECAM N. 7 - Edição Especial p.II

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Em contraponto ao mito de Eva, temos a incontestável figura de Maria, a mulher que concebeu imaculada o Deus-homem. Maria não é uma deusa, mas o que a cultura cristã chama de "santa", um ser humano iluminado, tocado com o desígnio do Divino, destacado para uma missão que exige uma fé incondicional. Maria talvez seja a única figura feminina da Bíblia no qual se exercita inteiramente essa total contemplação do divino, esse êxtase missionário que é também uma sublimação da fé. "Faça-se". Com essas palavras Maria autoriza o anjo a invadi-la com o Espírito Santo e assim, entrega seu corpo intocado à concepção do Salvador. A força dessa passagem bíblica dentro do inconsciente coletivo é extraordinária - denota um total desprendimento, um abandono da curiosidade, do desejo e de qualquer ambição maior. Maria não ambiciona o divino; ela se torna o seu instrumento. Por sua propria escolha, Maria recusa sua natureza-MULHER, resumindo-a inteiramente à sua natureza-MÃE. Sim, M...

MULHERES QUE PECAM N. 7 - Edição Especial p.I

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De acordo com o livro bíblico Gênesis , o primeiro ente representante da espécie humana foi o homem; e mais tarde, para que o homem tivesse uma companheira, Deus criou a mulher. Adormeceu o macho e tirou-lhe uma costela, para fazer o corpo feminino. Colocou ambos num jardim auto-suficiente e disse-lhes que comessem de tudo, menos do fruto de uma determinada árvore. Mas Eva, a primeira mulher, desobedece as ordens do Criador, comendo do fruto e dando-o ao seu marido, influenciada pelo animal guardião da árvore. Depois de descobrir a traição de Eva, Deus condena o homem a trabalhar a terra, caçar e pescar para sobreviver; condena a mulher a sangrar todos os meses, a parir dolorosamente os seres de sua espécie, e ser subjugada por seu marido; e condena a espécie do guardião da árvore a rastejar para sempre. Assim o primeiro livro do Velho Testamento descreve o mito de Eva, mulher de Adão e portadora do genoma supostamente maldito da espécie feminina. Muitas coisas podem se inferir d...

MULHERES QUE PECAM N. 7 - Edição Especial

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Esta edição, dividida em duas partes (talvez três) será dedicada a três figuras femininas das mais fortes e que postulam grande parte do imaginário criado em torno da personalidade da mulher, sobretudo na cultura ocidental e paternalista. É muito significativo que duas delas possuam o mesmo nome, e que todas compartilhem estigmas de conduta e pensamento. Mas este blog fala de personagens femininas literárias. Então, por que inseri-las? Porque a verdade é que, embora a idéia geral seja de que pelo menos duas delas tenham vivido nos primórdios de nossa civilização – e por “nossa civilização”, entenda-se a civilização ocidental cristã – não podemos afirmar se elas existiram da maneira como são retratadas nos livros da maior obra literária de todos os tempos – a Bíblia Sagrada. Estamos falando, respectiva e cronologicamente de Eva, a primeira mulher; Maria, a Virgem-Mãe; e Maria, a Madalena, discípula controversa de Jesus Cristo. Primeiro livro a ser impresso na era moderna, é precis...
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Anjo...

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Meu anjo de garras tesas Cheio da lua dos amantes Cercado de essência e desejo Encantado como o beijo Que me deste antes... Tens razão...não há pecado Pois é tênue a luz dos amados É a rasgada cumplicidade Explorando a intimidade, Os segredos encerrados... Meu anjo de garras ristes Que te comam as lobas más Pois o corpo aquém do luar É um corpo triste Ressentido da volúpia, E da fome infinita de amar.

A Letra Escarlate - citações (2)

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ELAS POR ELES N. 4 - William Shakespeare (1)

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The Dark Lady Sonnets William Shakespeare (1524 - 1608) Sonnet 130 My mistress' eyes are nothing like the sun; Coral is far more red, than her lips red: If snow be white, why then her breasts are dun; If hairs be wires, black wires grow on her head. I have seen roses damasked, red and white, But no such roses see I in her cheeks; And in some perfumes is there more delight Than in the breath that from my mistress reeks. I love to hear her speak, yet well I know That music hath a far more pleasing sound: I grant I never saw a goddess go, My mistress, when she walks, treads on the ground: And yet by heaven, I think my love as rare, As any she belied with false compare. Minha tradução: Soneto 130 Aquela que eu amo não tem o sol no olhar Também seus lábios não são tão vermelhos Se a neve é branca, por que seu seio amorenar? E se pelos são fios, fios pretos são seus cabelos. Já vi rosas rubras, brancas e adamascadas, Mas nunca em suas faces vejo tais flore...

A Letra Escarlate - Citações (1)

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Anjo...

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Versos by Claudinha

Química

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Um olhar, um simples olhar Uma flecha contra os sentidos inflada do veneno de amar rasgando todos os tecidos Um olhar de chuva, olhar de mar contra qualquer sorriso triste transbordando o desejo, o ar lavando o medo, que insiste É um olhar de luz, de luar Um olhar fixo entre os dedos fazendo o sexo penetrar revelar os velhos segredos É um olhar típico do olhar que estanca o sangue, e a sorte reiventa o vício, para provocar em todo o libido, a morte.

MULHERES QUE PECAM N. 6 - HESTER PRYNNE

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A obra-prima de Nathaniel Hawthorne, A Letra Escarlate , é como o proprio narrador faz questão de classificar, uma lenda. Uma historia de principios distorcidos, falsos profetas, aparencias, costumes. Uma historia de hipocrisia. Hester Prynne, a heroina romântica de Hawthorne, é uma mulher que se apaixona por um homem de uma comunidade na Nova Inglaterra e concebe uma menina, fruto dessa relação. Acontece que Hester é casada com Roger Prynne - um médico, pesquisador da cultura primitiva, que desaparece por dois anos e retorna justamente no momento em que a esposa está sendo julgada por adultério, tendo a prova do pecado encarnado no espírito indomesticado da criança, chamada Pérola. Roger Prynne percebe o poder que tem nas mãos pois, se revelar-se como o marido desaparecido, todos terão certeza da traição da mulher e sua pena será a execução. Hester, por sua vez, reconhece o marido na multidão e percebe que está em suas mãos. Desejando se aproveitar dessa vantagem, Prynne as...

Ode à mulher que peca

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Versos by Claudinha Monteiro
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Vem aí...

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MULHERES QUE PECAM ATÉ AQUI...

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FRASE DO DIA

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“Eu achava que ia chegar aos 51 anos vendo um mundo mais moderno., mas acontece o oposto. É uma caretice insuportável que impera. Essa proposta do espetáculo é dificílima. Se as pessoas deixarem o teatro pensando sobre esses assuntos, já ganhei. Não estou aqui para dar autógrafos e ser reconhecida nas ruas. Não quero ficar calada sobre o que estou vendo.” LÚCIA VERÍSSIMO, autora e atriz principal da peça "Usufruto", na qual protagoniza uma cena de sexo no palco.

Série ELAS POR ELES N. 3

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Annabel Lee Edgar Allan Poe (1809-1849) It was many and many a year ago, In a kingdom by the sea, That a maiden there lived whom you may know By the name of Annabel Lee; And this maiden she lived with no other thought Than to be loved and to be loved by me. I was a child and she was a child, In this kingdom by the sea: But we loved with a love that was more than love- I and my Annabel Lee; With a love that the winged seraphs of heaven Coveted her and me. And this was the reason that, long ago, In this kingdom by the sea, A wind blew out of a cloud, chilling My beautiful Annabel Lee; So that her kinsmen came And bore her away from me, To shut her up in a sepulchre In this kingdom by the sea. The angels, not half as happy in heaven, Went envying her and me- Yes! - that was the reason as all men know (In this kingdom by the sea) That the wind came out of the cloud by night, Chilling and killing my Annabel Lee. But our love it was stronger by far than...

SETE PECADOS

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Te amar... Com raiva Com fome Com a dor infinita do desejo Adorando a ti como ao espelho E te invadir sem pressa sem destino Em cada minuto um olhar instigado de malícia de querer mais e conseguir A cada minuto Senhora absoluta de ti E de mim.

FRASE DO DIA

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"Amar é saborear nos braços de um ente querido a porção de céu que Deus depôs na carne." Victor Hugo

MULHERES QUE PECAM N. 5 - LUCIOLA

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  Uma estratégia narrativa muito presente em Lucíola (1862), como em outras obras de José de Alencar, é a tendência a convergir palavra e imagem, é fazer o livro passar na fantasia do leitor como um filme, ou uma seqüência de enormes paisagens. Não é uma estratégia gratuita. O uso contínuo de cores e formas na descrição dos eventos em suas tramas parece ter o intuito de antecipar uma ligação inconsciente com o imaginário do leitor, facilitando a criação de um reflexo, uma relação verossímil com a sua própria realidade. Os ‘quadros’ pintados por Alencar revelam uma palavra ao mesmo tempo pitoresca e dúbia, armazenando nos personagens diversos modos de agir e/ou conduzir. Cabe à Lúcia, expressão máxima de ambigüidade poética do romance, a missão de representar o claro e o escuro, a máscara do rebaixamento social escondendo a generosidade, o sentimento, a elevação de espírito que personagens coadjuvantes não parecem ser capazes de exprimir. Cabe à Lúcia de Alencar o privilégio de pr...

Série ELAS POR ELES (Episódio II)

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Talvez sonhasse, quando a vi. Mas via  Que, aos raios do luar iluminada, Entre as estrelas trêmulas subia Uma infinita e cintilante escada.                                                                                                              E eu olhava-a de baixo, olhava-a... Em cada Degrau, que o ouro mais límpido vestia, Mudo e sereno, um anjo a harpa dourada, Ressoante de súplicas, feria... Tu, mãe sagrada! Vós também, formosas Il...

Espectro

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Minha alma torpe, torta, triste Esfomeada, carente demais Vive armada, dedo em riste Malcriada e incapaz Minha alma manca, sem beleza Animal sem nome nem olhar Minha alma acuada gagueja Tira tudo do lugar Minha alma atropelada Prepotente, singular Incolor e acorrentada Nunca sai de onde está Está sempre apaixonada Como estrela incandescente,                                                         Impotente e dependente                                                ...

Mulheres que Pecam N. 4 - Não Perca!

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"Lúcia saltava sobre a mesa. Arrancando uma palma de um dos jarros de flores, trançou-a nos cabelos, coroando-se de verbena, como as virgens gregas. Depois agitando as longas tranças negras, que se enroscaram quais serpes vivas, retraiu os rins num requebro sensual, arqueou os braços e começou a imitar uma a uma as lascivas pinturas; mas a imitar com a posição, com o gesto, com a sensação do gozo voluptuoso que lhe estremecia o corpo, com a voz que expirava no flébil suspiro e no beijo soluçante, com a palavra trêmula que borbulhava dos lábios no delíquio do êxtase amoroso."

Lucíola

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Afasto por um momento A minha alma do corpo cansado, em tormento carente de um esforço O que procuro é luz.  E sangue. E natureza. O que procuro é a essência Num rabo de estrela Que nos meus olhos espelha a reminiscência...                                                                      O que encontro é um pormenor                                                  ...