PECADORES CONFESSOS...

terça-feira, 26 de janeiro de 2010

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quarta-feira, 20 de janeiro de 2010

E para encerrar o assunto...

Alguns versos singelos, no idioma original de Shakespeare. E, sim, os versos são meus ...



A tragedy of Love
A tragedy of the mind
A tragedy of the law
And the tragedy of a wife
Whose passions are wronged
Whose intentions are forsaken
And whose husband, though strong
Is by eyes and ears mistaken

So is the tragedy of the Moor
A story of misplaced cheating
A web of whispers and words
A righteous man misleading
A wicked tongue work
A disguised fiend deceiving

So unfortunate is she
Whose beauty is temptation
Devouring his speech
Doomed by infatuation
So unprepared is he
For the scars of conciliation
For a moment under sheets
For the sweets of fornication

Hence this story of theft
Of romance undermined
Of lives taken and left
By deception undefined
Of Love quelled by death
And silence reconciled.


Traduzindo:

Uma tragédia de amor
Um trágico pensamento
Uma lei para se impor
E uma esposa em tormento
Com a paixão negligenciada
Com o intento restringido
E um marido, da forte armada
Por olhos e ouvidos tangido

Assim fez-se o Mouro trágico
Com deslocada deslealdade
Com versos e sopros mágicos
Desvirtuando a integridade
Um demônio carismático
Disfarçando de amizade

Uma mulher desafortunada
Cuja beleza é tentação
Cada palavra devorada
Condenando-a à perdição
Uma união despreparada
Para as marcas da comunhão
Para a volúpia intocada
Para a doce fornicação

E então uma historia roubada
Um romance entorpecido
Vidas secas, exterminadas
Por um engano indefinido
Um amor caído em desgraça
E um silêncio consentido.

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terça-feira, 19 de janeiro de 2010

Já dizia Veríssimo...


"A força mais destrutiva do universo é a FOFOCA."

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segunda-feira, 11 de janeiro de 2010

Mulheres de Shakespeare Vol.1 - DESDÊMONA


"Ó desgraçado assassino! O que tamanho idiota faz com tão boa mulher?"


A respeito do drama trágico Otelo, o mouro de Veneza (1603), de W. Shakespeare, Carol Thomas Neely (1983)  afirma que  temas corriqueiramente cômicos - amor, fofoca, casamento - são transfigurados para o trágico justamente porque desenvolvem-se na trama  formas extremas de idealização e de degradação do amor e da sexualidade, de forma que toda a ação está centrada em uma situação-limite, isto é, o total desaparecimento da referência feminina na trama, em favor de um mundo onde impera exclusivamente o poder masculino que, segundo Neely, inclui competitividade, hostilidade, e uma moral restrita, impermeável à natureza da mulher. Neely faz uma bela análise do relacionamento que se desenvolve entre os protagonistas, o general negro Otelo e a dama branca Desdêmona, diferenciando as expectativas amorosas de ambos ao assumirem um romance fora dos padrões da sociedade em que viviam. As diferenças expostas por Neely passam exatamente por uma radical idealização da figura feminina, representada na imagem que Otelo criou de Desdêmona, como também pela radical degradação dessa mesma imagem, a partir do momento em que o alferes Iago, empregado de Otelo, transforma uma simples fofoca numa verdade incontestável.
A personagem Desdêmona nos parece o perfeito bode expiatório tanto para a idealização quanto para a degradação da figura feminina nesta tragédia de Shakespeare. A peça já se inicia com Iago articulando uma forma de dar o alarme da fuga de Desdêmona com Otelo. Iago consegue que um pretendente rejeitado de Desdêmona avise o pai da moça, um senador veneziano de nome Brabâncio, que esta fugira de casa para viver com o mouro. Na primeira cena já se expõe a vilania improvisada de Iago que, exímio perscrutador de almas, observa e assim, inverte, envenena, articula o seu pensamento e o dos outros à sua volta. Sua artilharia mira o general Otelo, por razões que muitos críticos defendem não estarem claras, inclusive para o próprio alferes; mas Iago ataca Otelo através de uma crescente argumentação contra a sua mulher, Desdêmona. E começa do início, isto é, desmoralizando Desdêmona perante o pai.
Ao perceber que Desdêmona saíra de casa em nome de "violência e desafio" próprios, sem quaisquer influências externas, Brabâncio avisa Otelo: "enganará a ti, se enganou a mim". É muito interessante perceber que, nesta peça de Shakespeare, desde o início, toda e qualquer visão do feminino é impetrada por um personagem masculino. O poder pátrio é recorrente na trama, e hierarquicamente apresentado: o rei (representado na figura do Duque), o pai, o marido. Não há uma rainha, ou uma mãe, apenas a esposa que, por força da moral cristã, deve se submeter ao parceiro. A ausência total de uma referência materna social (a mãe) e/ou política (a rainha) é mais um indício do processo de des-influência da feminilidade no imaginário destes personagens. A representação feminina é enfraquecida, e continuamente mal-interpretada. Não coincidentemente, toda essa carga é derramada em Desdêmona, que em nossa opinião, funciona como um alter-ego do poder feminino na trama.
A atitude de Desdêmona, de enfrentar o pai e o rei em favor de um marido de sua escolha, denota uma importante faceta da personalidade da heróina - a qual, ironicamente, se virará contra ela. Desdêmona é leal à Otelo, à sua paixão. É honesta demais e, neste sentido, tão idealista quanto o marido. Crédula e completamente ingênua, sua inocência é a sua ruína. Sua autenticidade é incompatível com a competitividade, com a hostilidade do mundo dos homens. Desdêmona esvazia o pragmatismo masculino, e chega a desafiá-lo. Primeiro, enfrentando o pai para ficar com o marido; e depois, na cena que também é o climax da trama, quando enfrenta a ira de Otelo com um amor incondicional, se deixando matar pelo marido sem ceder à sua desconfiança, sem admitir absolutamente nada. O assassinato de Desdêmona, portanto, não acontece sem uma aura de humilhação, de vergonha para o poder masculino, porque Desdêmona mantém a sua verdade, e esta se torna, mais tarde, a verdade de todos os personagens.
Através do discurso alucinógeno de Iago, a identidade e a personalidade de Desdêmona se transformam radicalmente. Aos olhos de Otelo, ela passa de apaixonada a lasciva; de determinada a voluntariosa; de "doce guerreira" a "pássaro selvagem". Porém, Desdêmona mantém sua fé no casamento e no amor pelo marido. Sua retidão e idealismo se voltam contra ela, porque ela é incapaz de se adaptar à mentalidade ardilosa, preconceituosa e nada sutil que impera no "mundo de homens" retratado na peça. Shakespeare faz questão de realçar com cores berrantes o pensamento misógino por trás da aparente galhofa, dos risos, das conversas despretensiosas que os personagens masculinos travam sobre suas mulheres. Duas cenas ilustram bem essa ambiguidade: a cena em que Iago tenta fazer poesias diante de sua esposa Emília e de Desdêmona, mas as "imagens" em seus "versos" são sempre ofensivas à conduta feminina; ou quando Iago inflama o tenente Cássio a falar sobre suas estripulias sexuais com a prostituta Bianca, de forma que Otelo, que ouve a conversa, pense que o oficial está falando sobre Desdêmona - e assim, convencer o general de que a esposa o trai. São cenas fáceis de se encontrar em comédias, mas com uma tensão latente, provocando a sensação que de alguma maneira o riso está fora de lugar.
O elemento que Shakespeare usa para provocar esse "twist" na estrutura cômica de Otelo é justamente o extremismo nas visões de amor que permeia o relacionamento dos personagens. Se considerarmos o casal protagonista, por exemplo, vemos que a fantasia de amor de Otelo, explicitada na cena do reencontro dos amantes em Chipre (Ato 2. Sc 2), é completamente diferente da de Desdêmona: enquanto Otelo procura no amor e no casamento o apaziguamento de corpo e espírito, Desdêmona procura a paixão cada vez mais crescente. O furor com que Desdêmona absorve tudo o que diz respeito ao marido lisongeia Otelo, ao mesmo tempo em que o assusta. Essa incompatibilidade de expectativas dentro do relacionamento amoroso pode ser identificada, em maior ou menor grau, nos outros casais da trama: Iago não demonstra qualquer afeto pela esposa Emilia, enquanto esta se frustra por não receber nem cumplicidade nem atenção do marido; Cassio vê a prostituta Bianca como diversão, enquanto ela espera que ele assuma o relacionamento. No casal principal, porém, a incompatibilidade se faz num crescendo: primeiro um leve desconforto, "uma mosquinha" da qual o esperto Iago se aproveita para tecer sua enorme teia contra Otelo. Já sob a influência de Iago, o desconforto entre Otelo e Desdêmona evolui para uma tensão cada vez mais forte, até o violento rompimento de limites, com Otelo matando a mulher.
A asfixia de Desdêmona é o ato simbólico que indica a substituição absoluta do poder feminino pelo masculino dentro da peça. E Desdêmona é a personagem na qual este ato simbólico deve ser impetrado - não apenas por ser a principal personagem feminina, mas também por ser a principal imagem do poder feminino na trama. Tolerância, autenticidade, determinação - e ao mesmo tempo, doçura, inocência e idealismo trágicos. Greenblatt (1984) afirma que Desdêmona está longe de corresponder ao padrão de submissão engendrado pelo imaginário masculino para uma mulher. De fato, a "submissão" de Desdêmona a Otelo, o seu "senso de dividido dever" entre o marido e o pai Brabâncio, nada disso se concretiza sem um critério fundamental nesta personagem - o desejo. Todo o seu sentimento, toda a sua "violência e desafio" (Ato 1. Sc 2) passam necessáriamente pelo poderoso exame de consciência da  heroina - e por ter uma consciência independente da consciência e desejo dos homens à sua volta, é que Desdêmona está fadada a desaparecer.

Autores consultados:
GREENBLATT, Stephen. “The Improvisation of Power”. In: ________. Renaissance self-fashioning; From More to Shakespeare. London: The University of Chicago Press, 1984. pp. 222-257.
NEELY, Carol T. “Women and Men in Othello”. In: LENZ, Carolyn T.S, GAYLE Greene & NEELY, Carol T. The Woman’s part: Feminist criticism of Shakespeare. Urbana: University of Illinois Press, 1983. pp. 211 – 239.




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sexta-feira, 8 de janeiro de 2010

Marihuana



teu amor é fumaça lenta
inebriando um mar
de delírios, um par
de lágrimas que esquenta
ardido ardente olhar
que alimenta...

é palavra que esvazia
a boca do vício
de todo resquicio
da dor que arrepia
meus pelos,
meus cabelos
minha fantasia...

teu amor é cheiro
é perda, é achado
é o ar arfado
que respiro inteiro
é o riso
que não resisto
é um sacrilégio
em que insisto.

por Claudinha M.

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terça-feira, 5 de janeiro de 2010

MULHERES QUE PECAM N. 8 apresenta...


Mulheres de Shakespeare
Aguardem...

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domingo, 3 de janeiro de 2010

Profanando A. E. Housman (1859-1936)

Um dos meus poemas favoritos, com uma modesta tradução de minha autoria:



How clear, how lovely bright,
Tão claro, atraente brilhar
How beautiful to sight
Tão bonito de se olhar
Those beams of morning play;
Os raios que a manhã irradia
How heaven laughs out with glee
Como o céu dá alegres risadas
Where, like a bird set free,
Onde, qual ave libertada,
Up from the eastern sea
Sob o o mar da alvorada
Soars the delightful day.
Eleva-se o prazer do dia.

To-day I shall be strong,
Neste dia mais forte eu serei
No more shall yield to wrong,
ao pecado não me entregarei
Shall squander life no more;
Não deixarei a vida sumir;
Days lost, I know not how,
Dias perdidos, como eu não sei,
I shall retrieve them now;
Mas agora os retomarei
Now I shall keep the vow
E a promessa eu manterei
I never kept before.
Que nunca pude cumprir.
 
Ensanguining the skies
Ensanguentando o firmamento
How heavily it dies
Quão pesado padecimento
Into the west away;
No poente entristecido;
Past touch and sight and sound
Sem ser ouvido, olhado, tocado
Not further to be found,
Para nunca ser encontrado
How hopeless under ground
Quão desesperadamente enterrado
Falls the remorseful day.
Cai o dia arrependido.





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