PECADORES CONFESSOS...

domingo, 19 de junho de 2011

Mulher que peca? A polemica do novo video clip da cantora Rihanna.



Depois de flertar com o sadomasoquismo em uma de suas recentes canções, a cantora Rihanna rasgou uma ferida ainda maior com o clipe da sua nova música "Man Down". Por que? Bom, o clipe e a letra da música sugerem que pelo menos dois crimes foram cometidos. Um deles é revelado logo nos primeiros segundos do vídeo, quando Rihanna aparece assassinando um homem a tiros. O segundo...bom, se eu falar estraga a surpresa...

Se você ainda não assistiu, assista. O clipe, na minha opinião,é mais um chamado para uma discussão importante sobre a mulher no imaginário masculino do que propriamente uma "apologia à violência". Curiosa para saber o que voce acha...

Segue abaixo a letra traduzida da música:

Eu sei que não estava certo
Eu não consigo nem dormir à noite
Não consigo tirar isso da minha mente
Eu preciso cair fora
Antes que eu acabe atrás das grades

O que começou como uma simples briga
Transformou-se numa situação sem controle
Só de pensar no que eu estou enfrentando
Me dá vontade de chorar

refrão 1:
Porque eu não quis machucá-lo
Poderia ter sido o filho de alguém
E eu acertei seu coração
Quando eu puxei a arma

refrão 2:
Rum bum bum bum rum bum
Bum bum rum bum bum bum
Homem no chão
Rum bum bum bum rum bum
Bum bum rum bum bum bum
Homem no chão

refrão 3:
Oh, mamãe, mamãe, mamãe
Eu atirei em um homem
Na estação central
Na frente de uma multidão
Oh, por quê, oh, por quê?
Oh, mamãe, mamãe, mamãe
Eu atirei em um homem
Na estação central

É uma 22, eu a chamo de Peggy Sue
Porque ela se põe no meu lugar
O que você quer que eu faça?
Se você estiver me engando
Eu perco o meu comando
E agarro a minha arma

Eu não queria derrubá-lo
Mas é tarde para voltar atrás
Não sei o que eu estava pensando
Agora ele já não vive
Então, eu vou deixar a cidade

(refrão 1, 2, 3)
Olha, eu nunca pensei que faria isso
Nunca pensei que faria isso
Nunca pensei que faria isso
Oh, Deus
O que houve comigo?
Houve comigo?
Houve comigo?
Porque eu puxei o gatilho?
Puxei o gatilho, puxei o gatilho, BOOM
E acabei com um negro, acabei com a vida de um negro tão cedo
Quando eu puxar o gatilho, puxar o gatilho em você
Alguém me diga o que eu vou, o que eu vou fazer

Rum bum bum bum rum bum
Bum bum rum bum bum bum
Dizem que há um homem caído
Rum bum bum bum rum bum
Bum bum rum bum bum bum
Homem caído

Porque agora sou uma criminosa, criminosa, criminosa
Oh senhor, oh, misericórdia, agora sou uma criminosa
Homem caído
Diga ao juiz, por favor, que me dê a pena mínima
Corra para fora da cidade no Grand Seminal, Seminal

Oh, mamãe, mamãe, mamãe
Eu atirei em um homem
Na estação central
Na frente de uma multidão
Oh, por quê, oh, por quê?
Oh, mamãe, mamãe, mamãe
Eu atirei em um homem
Na estação central

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domingo, 12 de junho de 2011

No dia dos namorados, o vídeo perfeito!!!!



Legião Urbana FOREVER!!!

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domingo, 5 de junho de 2011

EVELINE, de James Joyce, e o pecado da inércia



Eveline, conto de James Joyce escrito para a coletanea Dublinenses, retrata o fluxo de consciencia de uma mulher que, ao contrário de várias de nossas outras transgressoras, não está em pleno movimento. A protagonista, uma jovem de 19 anos que pondera o proprio futuro enquanto contempla a paisagem de uma soturna Dublin, difere de nossas outras heróinas porque não peca pelo excesso de coragem, mas pela falta dela. Contrastando juventude e inércia, Eveline é uma mulher ao mesmo tempo oprimida e dependente de uma realidade, muitas vezes, abusiva.

Joyce começa o conto criando uma atmosfera de introspecção e contemplação do futuro. A protagonista, de apenas 19 anos, pretende fugir de casa com o namorado, um marinheiro. O tempo da narrativa flutua entre a realidade da véspera da fuga de Eveline e o passado descrito através de suas memórias, mas essa oscilação faz parte do exercício de ponderação de Eveline: como fora sua vida até ali? como seria sua vida dali em diante? Tudo dependia da escolha que naquele momento Eveline tenta fazer. E o que se percebe é que essa decisão vem pautada de uma sensação constante nos dois tempos narrativos, como também nos dois caminhos que se desenhavam à frente da jovem Eveline: o medo.

O medo se manifesta nas duas partes do conto, atacando diretamente as duas opções de Eveline. Na verdade o medo é a mola propulsora das ações da protagonista, tanto no primeiro momento do conto, -  quando ela decide ir com o namorado - quanto no segundo momento, quando ela desiste da fuga. Na primeira parte, reavaliando sua vida sofrida, pautada pela relação de abuso emocional com o pai e um dos irmãos e principalmente, diante do final infeliz da mãe, que morrera triste e enlouquecida, Eveline parece enxergar a fuga com o namorado como uma fuga dos problemas familiares, das dificuldades de uma vida cinzenta, tão sem cor quanto a cidade de Dublin descrita por Joyce. Ela não considera por exemplo, se ama ou não o homem com quem planeja escapar. Em dado momento ela pensa: "A princípio a idéia de ter um namorado não passara de uma empolgação, mas logo começou a gostar dele de verdade". Apesar da tradução sugerir que Eveline se apaixonara por Frank, o texto original de Joyce ("and then she had begun to like him") sugere, a nosso ver de propósito, uma ambiguidade nos sentimentos da protagonista. A dupla conotação da palavra "like", que pode significar tanto amor-afeto-amizade quanto amor-paixão-desejo, não deixa claro se Eveline gosta de Frank, ou da possibilidade que este lhe oferece, ao querer começar uma vida com ela longe da realidade que a oprime.

De fato, a ambiguidade nos sentimentos de Eveline se corrobora na continuadade do texto, no qual Joyce constrói um Frank que é o oposto de todas as figuras masculinas que Eveline já conheceu. Frank gosta de arte, é atencioso, viril, generoso. E além de tudo é marinheiro, acostumado a desbravar outros mundos, outras realidades. Com uma experiência que Eveline não tem, sempre presa no mundo ceifador, sempre igual, com um irmão distante e um pai que a acha uma "irresponsável, sem juízo".  O fascínio pelo diferente é o que atrai Eveline para Frank. O medo de terminar louca como a mãe é o que determina a sua vontade de se libertar, e não o sentimento pelo namorado: "Fugir! Precisava fugir! Frank a salvaria. Daria uma vida a ela, talvez, quem sabe, até amor. Frank a tomaria nos braços, a abraçaria. Ele a salvaria". 

O medo da rotina é rapidamente suplantado pelo medo do desconhecido, quando Eveline se vê diante da escolha fatal. No momento de sua partida, o navio pronto para partir, o oceano imenso diante de seus olhos, e todo aquele mundo que ela jamais conheceu - e que podia ser muito bom ou muito ruim - contrasta vigorosamente com toda uma vida que ela se propunha a deixar para trás. Será que valia a pena? Como ela poderia saber se não seria tão infeliz na vida nova com Frank quanto era na vida que já levava? E afinal, o que era felicidade, aventurar-se ou conformar-se? Conquistar ou administrar? A dúvida de Eveline está mais em sua cabeça do que em seu coração. O fato dela ser capaz de racionalizar tudo isto na hora de partir já denota que, afinal, o amor não é a questão - Frank é uma opção, uma porta aberta. E quando ele toma sua mão e diz "Vem!", Eveline se dá conta de que não está pronta para passar por ela.

Quando o desconhecido deixa de atraí-la, Eveline passa a enxergar Frank com outros olhos: "Todos os mares do mundo agitavam-se dentro de seu coração. Ele a estava levando para esses mares: ele a afogaria." Frank é aquele que a estava afastando do que ela era, ou pelo menos, do que estava acostumada a ser. Frank a destruiria. E de repente, sua expressão diz tudo. "Ela o encarava com o rosto pálido, passivo, como um animal indefeso. Seus olhos não demonstra­vam qualquer sinal de amor, saudade, ou gratidão." Corroborando assim, que a falta de uma identificação emocional com Frank, em contraste com a enorme bagagem emocional com o pai - ainda que permeada de abuso - foi determinante para a decisão de Eveline, de afinal, viver como sempre vivera. 

Talvez possamos dizer que o pecado de Eveline, que determina a sua inércia diante da vida, é a incapacidade de empreendimento, principalmente afetivo. Talvez a perturbada relação familiar tenha contribuido para sua inabilidade de se comprometer emocionalmente com o outro. Eveline não é uma pecadora como estamos habituados a observar. Não é transgressora,  e a sua intensidade não é arrebatadora. A sua frieza, incomum em alguém tão jovem, é que a faz, afinal, preferir a estabilidade -à custa de um sacrifício que, talvez, nem ela mesma perceba - ou, talvez, nem faça tanta diferença.



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sábado, 4 de junho de 2011

EVELINE (Final)



Lá estava ela no meio da multidão ondulante na estação de embarque de North Wall. Ele segurava-lhe a mão e ela sabia que estava se dirigindo a ela, repetindo alguma coisa a respeito das passagens. A estação estava repleta de soldados carregando malas marrons. Através dos largos portões do embarcadouro ela podia ver o vulto negro do navio, atracado ao longo do cais com as vigias iluminadas. Ela nada respondia. Sentia o rosto pálido e frio e, num labirinto de aflição, rezou pedindo a Deus que lhe guiasse, que lhe apontasse o caminho. O navio lançou dentro da névoa um silvo longo e triste. Se partisse, amanhã estaria no mar ao lado de Frank, navegando em direção a Buenos Aires. As passagens dos dois já estavam compradas. Seria possível voltar atrás depois de tudo o que ele fizera por ela? A aflição que sentia lhe provocava náuseas e ela continuava a mover os lábios rezando fervorosamente em silêncio.
Um sino repicou em seu coração. Deu-se conta de que ele lhe agarrara a mão:
— Vem!
Todos os mares do mundo agitavam-se dentro de seu coração. Ele a estava levando para esses mares: ele a afogaria. Agarrou-se com as duas mãos às grades de ferro.
— Vem!
Não! Não! Não! Era impossível. Suas mãos agarraram-se ao ferro em desespero. No meio dos mares ela deu um grito de angústia!
— Eveline! Evvy!
Ele correu para o outro Lado do cordão de isolamento e a chamou, para que o seguisse. Gritaram para que fosse em frente, mas ele continuava a chamá-la. Ela o encarava com o rosto pálido, passivo, como um animal indefeso. Seus olhos não demonstra­vam qualquer sinal de amor, saudade, ou gratidão.


E no próximo post, vamos discutir o pecado de Eveline... o que voce acha?


Fonte: JOYCE, James. Dublinenses. São Paulo: Siliciano, 1993. 2ª ed. Tradução de José Roberto O’Shea.


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