PECADORES CONFESSOS...

terça-feira, 26 de novembro de 2013

A mulher que passa | Vinicius de Moraes (1913-1980)

Em 19 de outubro comemoramos 100 anos do nascimento do poetinha Vinicius de Moraes. E como ele gostava de cantar as mulheres! Essa ele escreveu quando era bem jovem - mas já é o embrião de uma outra poesia cantada sobre uma certa Garota de Ipanema...

Vinicius de Moraes nasceu um ano depois e morreu seis meses antes que Nelson Rodrigues. O poetinha e o anjo pornográfico teriam mais uma coisa um comum: os seus amores - e desamores - pelas mulheres sobre as quais tanto escreveram.



A MULHER QUE PASSA

Rio de Janeiro , 1938

Meu Deus, eu quero a mulher que passa.
Seu dorso frio é um campo de lírios
Tem sete cores nos seus cabelos
Sete esperanças na boca fresca!

Oh! como és linda, mulher que passas
Que me sacias e suplicias
Dentro das noites, dentro dos dias!

Teus sentimentos são poesia
Teus sofrimentos, melancolia.
Teus pelos leves são relva boa
Fresca e macia.
Teus belos braços são cisnes mansos
Longe das vozes da ventania.

Meu Deus, eu quero a mulher que passa!

Como te adoro, mulher que passas
Que vens e passas, que me sacias
Dentro das noites, dentro dos dias!
Por que me faltas, se te procuro?
Por que me odeias quando te juro
Que te perdia se me encontravas
E me encontrava se te perdias?

Por que não voltas, mulher que passas?
Por que não enches a minha vida?
Por que não voltas, mulher querida
Sempre perdida, nunca encontrada?
Por que não voltas à minha vida?
Para o que sofro não ser desgraça?

Meu Deus, eu quero a mulher que passa!
Eu quero-a agora, sem mais demora
A minha amada mulher que passa!

No santo nome do teu martírio
Do teu martírio que nunca cessa
Meu Deus, eu quero, quero depressa
A minha amada mulher que passa!

Que fica e passa, que pacifica
Que é tanto pura como devassa
Que boia leve como a cortiça
E tem raízes como a fumaça.

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domingo, 24 de novembro de 2013

BIRTH



Este verso sem memória 
na minha mente em pedaços
tropeçando a história
em meus passos
conspirando um sentimento
que retorna com o vento
e não se demora...

É um verso que agora
insiste e mente
dizendo-se presente
nunca foi embora
como essa dor se entende
e minha alma explora
não sei, e nem explico
o texto que aflora...

E esse verso, a essa hora
é um karma inverso
é uma espora
sangrando um contrasenso
e um caos imenso
que revigora.


by Ana Monteiro


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