PECADORES CONFESSOS...

quinta-feira, 25 de junho de 2009

Sobre a autora de Jane Eyre (II)

Conventionality is not morality. Self-righteousness is not religion. To attack the first is not to assail the last. To pluck the mask from the face of the Pharisee, is not to lift an impious hand to the Crown of Thorns. These things and deeds are diametrically opposed: they are as distinct as is vice from virtue. Men too often confound them: they should not be confounded: appearance should not be mistaken for truth; narrow human doctrines, that only tend to elate and magnify a few, should not be substituted for the world-redeeming creed of Christ. There is — I repeat it — a difference; and it is a good, and not a bad action to mark broadly and clearly the line of separation between them.
Charlotte Brontë
Prefácio a 2a. edição de Jane Eyre (1847)
P.S.>> "Convenção não é moralidade. Auto-afirmação não é religião. Atacar o primeiro não é criticar o segundo. Arrancar a máscara do rosto do Fariseu não é estender uma mão ímpia para a Coroa de Espinhos. Estas coisas [convenção e moralidade] são diametralmente opostas: elas são diferentes como a virtude do vício. Os homens frequentemente as confundem: elas não devem ser misturadas. Aparência não se deve confundir com a verdade. As estreitas doutrinas humanas, que tendem a exaltar e magnificar uma minoria, não deveriam ser substituídos pelo credo do mundo-redentor de Cristo. Existe - repito - uma diferença; e é uma boa, e não uma má ação, marcar abundantemente e claramente a linha de separação entre elas."

Share/Save/Bookmark

[off] Michael Jackson (1958-2009)

Michael,
ídolo da minha infância,
adolescência e adultice
rei de toda literatice
e da imundície
do mundo popular
vai cantar e dançar
no céu de Alice
na terra onde alguem já disse
o tempo nunca vai passar.
Adeus.

Share/Save/Bookmark

Sobre a autora de Jane Eyre

I dangers dared,
I hinderance scorned,
I owens did defy.
Whatever menaced
harrassed, warned
I passed inpetuous by.


Charlotte Brontë (1816 -1855)









P.S> A tradução seria mais ou menos assim:

Eu perigos enfrentei
Eu obstáculos desprezei
Eu a homens desafiei.
Qualquer intimidação,
Assédio, ameaça
Eu impetuosa ultrapassei.
Share/Save/Bookmark

segunda-feira, 22 de junho de 2009


A prostituta só enlouquece excepcionalmente. A mulher honesta, sim, é que, devorada pelos próprios escrúpulos, está sempre no limite, na implacável fronteira.
Nelson Rodrigues, criador de algumas das mulheres que pecam do teatro moderno brasileiro.

Share/Save/Bookmark

domingo, 21 de junho de 2009

Jane Eyre - leituras da época vitoriana

"Críticos vitorianos, indubitavelmente percebendo a intensidade subliminar da paixão de Brontë, parecem ter entendido este ponto muito bem [i.e., o fato do personagem Jane Eyre ser o "símbolo de uma rebeldia apaixonada e mal disfarçada"]. A sua 'mente contém nada além de fome, rebeldia, e fúria', Matthew Arnold escreveu sobre Charlote Brontë em 1853. [...] 'Jane Eyre é do início ao fim a personificação de um espírito indisciplinado e irregenerável', escreveu Elizabeth Rigby no The Quaterly Review em 1848 [...]. Anne Mozley, em 1853, relembrou para o The Christian Remembrancer que 'Currer Bell' [pseudônimo de Brontë] parecia na sua primeira aparição uma autora 'amarga, àspera e reclamona; uma alienígena da sociedade, intolerante a todas as suas leis'. Mrs Oliphant relatou em 1855 que 'dez anos atrás nós professamos um sistema ortodoxo de fazer romances. Nossos amantes eram humildes e devotados... e ó único verdadeiro amor que valia a pena era... o amor cortês que consagrava todo o sexo feminino... quando de repente, sem aviso, Jane Eyre roubou a cena, e a mais alarmante revolução dos tempos modernos seguiu à invasão de Jane Eyre'."
(Fonte: Gilbert & Gubar. The Madwoman in the Attic. London: Yale University Press, 2000.)
Nota: Copiado do original em inglês. A tradução é de minha autoria.

Share/Save/Bookmark

quarta-feira, 17 de junho de 2009

Mulheres que Pecam n.1 - Jane Eyre

A história de Charlotte Brontë, na minha opinião, é um dos primeiros manifestos abertamente femininos (como também feministas) que surgiram na prosa romântica. A protagonista Jane é a anti-musa: nas suas próprias palavras, uma moça simples, sem refinamentos nem beleza. Orfã de pai e mãe, de personalidade forte desde criança , não aceita os maus-tratos da esposa de seu tio - Sra. Reed - e de seus três filhos. Internada num colégio de padres, educou-se praticamente sozinha, sobrevivendo às rígidas regras de conduta dos religiosos, que lhe aplicavam sucessivas punições por considerarem que Jane possuía o que chamavam de "espírito rebelde".
Sustentando-se com a experiencia adquirida no colégio interno, Jane aceita um posto na casa de Edward Rochester, um homem rico, charmoso e misterioso, acostumado a belas mulheres. Jane se mostra sempre firme, gentil, mas sem finos tratos. Sua franqueza e fortaleza de caráter acabam conquistando o poderoso Rochester, por quem também se apaixona. A grande sutileza do romance está na construção do arrebatamento entre os personagens - a tensão sexual entre os dois é explícita, assim como o equalização de seus espíritos e personalidades. Mais sutil ainda é o fato de que tal encantamento é estruturado num contundente crescendo antes que se descubra a raiz do mistério que cerca a casa de Rochester - a esposa louca no sótão. É importante observar a atmosfera transgressora que envolve os principais personagens femininos da trama. Jane, de uma hora para outra, se descobre uma quase amante, mas sua ignorância dos fatos a redime, num primeiro momento; ao contrário de Bertha, a esposa, que se uniu a Rochester num casamento arranjado pela família, que a escondeu do noivo até o dia do casamento para que ele não percebesse sua loucura. A vitimização de Rochester e o sentimento avassalador e sincero já enraigado entre Jane e o patrão ajuda a criar no leitor moderno uma propensão a relevar o aspecto transgressor da atitude de Jane. Mas é claro que em pleno sec. XIX, a sociedade vitoriana, católica fervorosa e patriarcal, torceria indubitavelmente o nariz para o livro e assim, precisava de um pequeno alento moral; por isso mesmo, a saída é enviuvar Rochester - Bertha morre num incendio provocado por ela mesma. Brontë deixa, no entanto, um aperitivo amoral em Jane, novamente sutil, quando faz com que ela decida voltar para Thornfield mesmo antes de saber que Rochester já era viúvo, insinuando que a esposa não seria um empecilho.
A faceta transgressora da personagem, porém, não se resume ao adultério. Gibert & Gubar, no seu fundamental livro The Madwoman in the Attic (A mulher louca no sótão, numa referência a Bertha Mason) aponta um interessante paralelo entre Jane Eyre e a esposa de Rochester, sugerido que a fúria contida de Jane, a base de seu "espírito rebelde" encontraria uma versão explícita na loucura de Bertha: "[Bertha] é o lado furioso da criança órfã, o segredo feroz que Jane tenta reprimir desde os seus dias em Gateshead [a casa de Mrs. Reed]. Porque, como Claire Rosenfield coloca, 'a novelista que consciente ou inconscientemente explora os duplos psicológicos' frequentemente justapõe 'duas personagens, uma representando a personalidade socialmente aceitável e convencional, a outra externalizando um eu livre, desinibido, e constantemente crimonoso'" (2000: 360). De fato, em várias passagens do livro Bertha parece externar os pensamentos, os medos e os sonhos mais íntimos de Jane, como quando ela rasga o véu de noiva que Jane estranhara em sua cabeça um dia antes; ou quando põe fogo na casa, fazendo com que Rochester perca a visão de um dos olhos e uma das mãos, exatamente como Jane tinha profetizado antes de deixá-lo. A união final entre o aleijado Rochester e a auto-determinada e forte Jane, no fim do livro, sugere um acerto de contas entre o masculino e o feminino, uma equalização de poderes, como também o fim de um processo de maturação de ambos os personagens. Abaixo, um pequeno videoclip com algumas cenas da minha versão favorita de Jane Eyre para a TV, dirigida por Franco Zefirelli em 1996.



Share/Save/Bookmark

domingo, 14 de junho de 2009

Por quê?

Quero explicar como nasceu o título deste espaço. "Mulheres que pecam" é inspirado no título da primeira peça de Nelson Rodrigues, "A mulher sem pecado", que foi objeto de minha dissertação de Mestrado, defendida recentemente pela UERJ. No contexto de minha pesquisa, abordei como as personagens femininas rodrigueanas são rotuladas em determinados comportamentos, em como a misoginia determina estas rotulações não apenas no contexto das mulheres de Rodrigues, mas em torno do feminino, de maneira geral. Me interessou, durante o meu estudo, examinar a força de determinadas personagens, num mundo basicamente avesso ao seu poder de expressão mas que, ironicamente, não se equilibra sem que a voz feminina seja ouvida, ou se rebele. Ao estabelecer um diálogo entre os personagens rodrigueanos e os personagens shakespeareanos, acabei encontrando um padrão similar de rotulação, uma propensa associação do feminino à transgressão, ao pecado, e muitas vezes, ao trágico. Não me propus a discutir a posição de Shakespeare e Rodrigues em relação ao feminino, porque não era central ao meu projeto. Mas a ideia de investigar personagens literários femininos cuja transgressão é central ao romance, ou à tragédia, continuou martelando na minha cabeça. Por isso, resolvi começar construindo um espaço no qual o processo de identificação destes personagens pudesse ser claro, aberto, e sugestivo, principalmente, a um possível leitor. O título deste blog, portanto, remete diretamente ao meu objeto primordial de crítica, que são as mulheres que se rebelam, que transgridem e, por conseguinte, saem de um marasmo muitas vezes misógino para fazer a diferença. Tudo isso, é claro no contexto da literatura.
É claro, que eventualmente, intercalarei tais críticas com outras formas de expressão: poesia, video, imagens. Não me oponho a postar textos de outras pessoas no blog. Em breve, colocarei meu email a disposição de quem quiser se expressar.
Bom, até a próxima.

Share/Save/Bookmark

sábado, 13 de junho de 2009

Pecados sem alma
Sem calma
Sem partida nem chegada
Inconsequências
Experiências
de vidas despedaçadas


É um fazer sem pensar
sem poder nem perdoar
É um estar sem saída
é pular
no meio do mar, perdida
sem respirar...


Share/Save/Bookmark

Estréia!!

Quero dedicar este espaço a todos que, como eu, são amantes da leitura, da arte, da imaginação e da cultura. Nestas pequenas inserções pretendo expor opiniões, pensamentos, arriscar composições, poesias, pequenas belezas. Enfim, criar. Estarei feliz em compartilhar as composições, criações e exposições de quem quiser dividir este espaço comigo. Estarei sempre aberta a críticas, sugestões, comentários. É isto amigos. Este é um blog de memória, de coração e de impulso, em homenagem, principalmente, a todas as pecadoras do mundo. Explicarei o título, oportunamente. Afinal, este espaço esteve, está e sempre estará em construção.

Bem-vindos!
Share/Save/Bookmark
Related Posts with Thumbnails