PECADORES CONFESSOS...

domingo, 31 de outubro de 2010

MAGIC (toda Bruxa é uma Mulher que Peca, ou toda Mulher que Peca é uma Bruxa?)


tento todas as sensações
testo todos os elementos
danço solta com o vento
me iludo me vendo
em todas as direções.
ando meio devagar
sou melhor no despropósito
e no instinto
não me escondo, não minto
nem de longe me admito
sou assim meio de mar…
guardo os meus encantos
se não fosse pagar o preço
de todo desejo que eu esqueço
eu sorriria mais; então eu penso
que o tempo pra mim é só o começo
e o veneno dos anos eu aqueço,
eu engano.



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Um poeta me fez lembrar dessa frase SO CRUEL...SO TRUE hoje:



A experiência é uma professora brutal; mas você aprende. Deus, e como aprende!


C. S. Lewis (1898-1963), escritor irlandês – autor, entre outros trabalhos, dos livros que compõem “As Crônicas de Nárnia”.

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sábado, 30 de outubro de 2010


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terça-feira, 26 de outubro de 2010

DIANA


Diana tinha esse jeito de olhar que era mais uma paralisia. Sentava num canto que não se via, e entrava num buraco negro, um lugar que só ela ia. Dona Mirna não entendia. Uma vida inteira separava mãe e filha. Uma parecia não saber absolutamente nada da outra. Parecia.

Porque Diana sempre sabia. Parecia não olhar, mas sempre via. Tinha uma enorme presença, e uma perspicácia atroz. Olhos de lince, magnetizava, invadia. Diana, ferina e triste. Sempre arredia.

Dona Mirna desistira dela faz tempo. Desde pequena essa insistência, essa posse incondicional da própria vida. Essa independência. Parecia um radar sintonizado além do mundo. Aquela menina de olhos arregalados e cabelo em riste, sempre descalça, descabida. Só a envergonhava com os vizinhos.

Mas Diana era o avesso, não tinha jeito nem trejeito. Só aquele olhar. Naquele tempo, parecia um bicho numa jaula. Agora ia na jugular. A criança desenxabida crescera imponente e furtiva. Alta, corpulenta, nariz arrebitado, boca sedenta. De uma beleza altiva, mas mesmo assim...sempre alguma coisa que não se diz, algum desejo. Dona Mirna já teve vergonha, embaraço, desprezo. Agora só tinha medo.

Não gostava particularmente daquela hora em que o sol mudava de lugar, e abandonava a velha sala de estar, abandonava o dia. Era quando o belo rosto de Diana despertava mais pavor. Era quando Diana sorria.

***

A desgraça alheia tem mel e açúcar, é uma iguaria. E naquele dia, não foi diferente. Para onde se olhasse, amigos, vizinhos, parentes. Gente que ela nunca via.

Dona Mirna tinha os olhos cerrados, um ar de susto, de ingresia. Já não sofria. Deitada em berço esplêndido, em madeira de vime, coisa fina. E lá estava a filha de pé, a mesma altivez, o mesmo silêncio. A mesma catatonia.

Sentia os olhares, o burburinho, até os poucos passos se ouvia. Não se continham. Era a voz da romaria. Seus pensamentos fugiam, sua memória escondia. Sob os pios e os risos daquela gente. Sob o inevitável sussurro das massas: “assassina!”.

De fato, a faca, o sangue, a gritaria. Não queria entender. Tampouco explicaria. Era aquele olhar. Aquele ar de presa fácil, sempre assustada, sempre vazia. Era um vício, apenas algo que fazia. Mas não adianta explicar.

Como dizer que era a caça, o prazer, a vida, e que era só o começo?

Ninguém entenderia.

Mesmo assim, em cada gota, cada lágrima, ela sabia.

Não era morte, nem o enterro, nem a tristeza.
Era ela.
Era Diana que os atraía.

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domingo, 24 de outubro de 2010

Um de meus poemas favoritos...


Parando na mata em noite de nevasca
(Robert Frost) 

Acho que sei de quem é esta flora
Mas é numa casa na vila que ele mora
Não me verá nesse instante parar
olhar sua mata sob a neve da aurora.
Meu pequeno cavalo acha peculiar
Parar tão perto de algum lugar
Entre esta mata e o lago espelhado
Neste ano de noite sem luar.
E o animal se mexe incomodado
Quer saber se há algo errado
E tudo mais que se pode ouvir
É o soar do vento e dos flocos gelados.
Profunda, triste e bela é a mata daqui
Mas eu tenho promessas a cumprir
E um longo caminho antes de dormir,
E um longo caminho antes de dormir.

(tradução de minha autoria)

Para ler o poema original (vale a pena!), clique aqui.

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sexta-feira, 22 de outubro de 2010

SO CRUEL...SO TRUE - Mais home truths


Fantasmas são reais. E Monstros são reais também.
Eles vivem dentro de nós.
E algumas vezes, eles vencem.

Stephen King, escritor americano






Os contos de fada não dizem às crianças que os dragões existem.
As crianças já sabem que dragões existem.
Os contos de fada dizem às crianças que os dragões podem ser destruídos.

G. K. Chesterton, ecritor britânico



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domingo, 17 de outubro de 2010

As pecadoras de Jorge Amado (III) - O sexo é uma arma em Tereza Batista Cansada de Guerra

Capa do livro (1973)

Me chamo siá Tereza
Perfumada de alecrim
Ponha açúcar na boca
Se quiser falar de mim

Flor no cabelo
Flor no xibiu
Mar e rio

Tereza Batista, por Dorival Caymmi



O pecado em Jorge Amado geralmente é algo contraditório, é uma questão de interpretação. No tocante às suas mulheres, a infâmia que ronda as suas vidas é temperada com a necessária dose de delicadeza, e mistério. Foi assim com o erotismo político (ou a política erótica?) da cabrita Tieta do Agreste e a cozinha cheirando a cravo e canela da sedutora Gabriela. Mas vamos falar agora do que chamaremos de uma exceção à regra. Uma exceção que valoriza o conflito, a violência e o infortúnio - e por esse viés, constrói uma das personagens femininas mais contundentes do universo amadiano. Seu nome: Tereza Batista.

No romance Tereza Batista Cansada de Guerra (1972) temos a história de uma mulher que recusa todo e qualquer papel social que tentam lhe impor. É a história de uma mulher que é o que quer ser - luta por isso, mas também paga caro por isso, e por muito tempo. Seu pathos de muito sofrimento começa na pré-adolescência quando, orfã de pai e mãe, é criada como escrava pela tia Felipa até ser vendida por ela para o Capitão Justo, homem cruel e pervertido. Vive por muito tempo como escrava sexual do capitão; mas, ao contrário de suas outras "meninas", Teresa não se deixa possuir sem luta. O capitão sempre tem de pegá-la à força. O papel da garota pobre destinada ao subjugo e ao trabalho forçado não lhe cabe, e nem ela o deseja. O estupro, neste caso, é a forma cruel de estabelecer, todos os dias, um sonoro manifesto contra a sua própria condição.

Ainda sob o teto do Capitão Justo, Tereza conhece Daniel, e se apaixona por ele. É a sua primeira experiência de sexo consensual. Mas nada é tão fácil. O momento idílico com Daniel termina quando o capitão flagra os dois. E naquele momento, Tereza se traveste do cavalheirismo que falta ao seu amante, se interpõe entre os dois homens e acaba matando Justo. Um episódio que poderia ser facilmente descrito por legítima defesa - exceto quando a vítima é um homem poderoso, e a criminosa é uma mulher sem eira nem beira. Daniel, é claro, a abandona. Diante de um sistema opressor, chauvinista e discriminador, Tereza passa de escrava sexual à assassina condenada e presa, materializando a sua marginalização social.

Tereza é salva da cadeia - recusando o papel de assassina - pelo Dr Emiliano Guedes, homem já de idade, que se encantara com o espírito rebelde da moça quando a conhecera na casa do capitão. Mais uma vez, trata-se de possuir, mas com uma abordagem diferente - através da gratidão, e construindo aos poucos carinho e afinidade. Emiliano e Tereza se aproximam, se respeitam. Mas, na hora exata em que estão fazendo amor, Emiliano morre. E Tereza, que era o que no sertão se chamava "teúda e manteúda" do doutor, se vê jogada na rua novamente. Sem saída, usa o sexo para sustentar-se.

Mas Tereza está longe de conformar com a marginalidade. Como prostituta, Tereza se mete em várias brigas com a polícia para defender as companheiras de profissão. Engaja-se na greve das prostitutas para não serem despejadas de seu local de trabalho. Percebemos, portanto, que há um padrão de comportamento em Tereza que insiste em desafiar qualquer representação de autoridade patriarcal. O poder masculino não a assusta, nem a detém. Ela se determina a não ser oprimida, retaliada, discriminada. E ainda que ocupe sempre o lugar mais raso da pirâmide social, sempre se faz notar.

O grande amor de Tereza, desde quando matara o capitão Justo, era o marinheiro Jereba. Mas, mais uma vez, se decepciona ao descobrir que ele é casado, e que a deixou para voltar para a esposa doente. Há também aqui um padrão de insatisfação amorosa quase que diretamente proporcional à rebeldia de Tereza. Os homens de Tereza são fracos, indecisos. A força de Tereza os atrai, mas também os assusta. E eles fogem para longe de seu magnetismo. Mas o amor se torna uma nova mola propulsora na vida de Tereza e ela decide lutar por isso.

Depois de perder Jereba, Tereza viaja para o interior de Sergipe, onde vê médicos e enfermeiros abandonarem o único posto médico do lugar, por medo do avanço da varíola. Resolve prestar assistência aos doentes com a ajuda das prostitutas da região. Novamente, o contraste entre a instituição social e a generosidade nascida da opressão compartilhada. 

Depois de Sergipe, Tereza ruma para a Cidade da Bahia, atrás de Jereba (àquela altura, já viúvo). Mas num novo desencontro, descobre que ele embarcara num navio de carga estrangeiro. Tereza então, torna-se dançarina num cabaré em Salvador. É quando conhece Almério, homem gentil que desperta a sua simpatia. Mas, no dia do seu casamento com Almério, Tereza reencontra Jereba. E decide renunciar ao papel de esposa conformada, arranjada num casamento sem amor, e partir para sua última transgressão: viver feliz, ao lado de quem ela deseja, com ou sem a benção do sagrado matrimônio. A jornada de Tereza, o seu "endurecimento", a sua maturação sexual e psíquica, chega ao fim.




Com sua narrativa tipicamente anacrônica, e com um narrador tipicamente nordestino, a história de Tereza Batista é c(o)antada na marca do repente. Tereza, na voz do contador (ou será cantador?) de histórias se torna um símbolo, quase uma lenda. Uma entidade mediúnica, filha dos orixás, mulher brava, guerreira, avassaladora. Feminina. Aquela que até o último momento, lutou para ser, e não apenas refletir o outro. Tereza Batista cansada de guerra. No fim, tudo se resume à paz de seu conturbado - porém vencedor - espírito.


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terça-feira, 12 de outubro de 2010

SATISFACTION

"Eve" by Matthew Leclair

Meu corpo lateja
quando ninguém vê;
Imagina, sonha e deseja
Não encontra o que dizer...
Se não estou só
Ainda quero e penso
Mas sinto um silencio
Um intenso não poder.
E  se fico em paz
Sei que não há nada mais
Nem nada melhor para fazer
A não ser ...

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sábado, 9 de outubro de 2010

As pecadoras de Jorge Amado (II) - O imperio dos sentidos de Gabriela Cravo e Canela

O romance de Jorge Amado, traduzido para o inglês

Gabriela, perfume de cravo e cor de canela. A imagem da tropicalidade e da brejeirice – como também da libertação do desejo primitivo, do sexo enquanto exercício do corpo. No romance Gabriela Cravo e Canela (1958), Jorge Amado nos apresenta um mulher de espírito livre, sem amarras morais nem pertubações de consciência. Uma cria da terra, trabalhadora, inocente, interesseira, sedutora, voluntariosa, humana. A história de Gabriela é alegre, cantada com o sotaque baiano, mas ao mesmo tempo, é ambientada numa sociedade em formação – a sociedade cacaueira da Ilhéus dos anos 20 -, portanto em busca de valores e opiniões que a integrem ao progresso tão fortemente almejado. O contraste entre a simplicidade e a conotação sexual com que Gabriela lida com as situações, e acirrada disputa política e moral que se estabelece no vilarejo, ajuda a ratificar o nível de desprendimento que a protagonista tem daquele cenário.

Tal contraste, portanto, é proposital. Amado constroi dois ambientes: um macrocosmo em que vemos uma sociedade contraditória, rural e ascendendo ao progresso, com a política influenciada pelo coronelismo, mas sendo cutucada com vara curta pelas novas ideias das cidades do Sul; e um microcosmo com as relações interpessoais, romances, traições, triangulos e até quadrados amorosos. E há Gabriela. Dentro desse microcosmo emocional, ela é quem clama pelo sexo. 

Gabriela é uma retirante que chega a Ilhéus acompanhada do amante, para trabalhar nas fazendas de cacau. Lá chegando, depara-se com o sírio Nacib, dono de um bar que precisa desesperadamente de uma cozinheira para aprontar um banquete sob encomenda. Nacib contrata Gabriela e ela dá conta do recado. Seu tempero torna-se marca registrada do estabelecimento de Nacib. Logo, sua beleza morena chama tanta atenção quanto o seu tempero. Atenção para o fato de que Amado transforma Gabriela numa espécie de deusa de todos os sentidos. Cheiro, sabor, aparencia, musicalidade…o tempero, a beleza e a voz de Gabriela determinando o sentido primitivo fundamental – o toque.

De fato, Nacib e Gabriela não demoram a se relacionar intimamente. A noite que passam juntos não é sobre amor, mas sobre desejo. Gabriela não se furta a nenhuma sensação. Sentir é seu estado natural, não é uma questão de certo ou errado. Ela quer, e é o que basta. Mas Nacib é um produto do meio social, civilizado e restrito. Um homem cuja intimidade precisa ser justificada perante a sociedade. Então com o passar do tempo, Nacib se convence de que ama Gabriela e a pede em casamento.

Como já dissemos, para Gabriela tudo é experiência. Muitas propostas já lhe haviam sido feitas, todos a queriam. Mas Nacib a queria num papel que nunca experimentara antes – o de esposa. Casar, se dar ao respeito, vestidos e sapatos. Seria uma boa senhora de família?

A resposta é obvia. Gabriela não se adapta à vida de casada. Não andar em panos leves, descalça e sem modos refinados a afastava demais de sua própria essência. O casamento, enquanto expressão da convenção social, arranjo primário de qualquer sociedade, não consegue prender o espírito livre de Gabriela. Em consequencia, o desgaste emocional é inevitável. A vida sexual de Nacib e Gabriela decai grandemente, já que o sexo marital “deve” se desprender completamente da luxúria. Para Nacib, nascido e crescido em sociedade, isto é o certo a fazer. Mas não para Gabriela. Nunca para Gabriela.

Gabriela, eternizada na imagem da atriz Sonia Braga


A morena cravo e canela, então, se liberta mais uma vez. Refuta totalmente um comportamento que não pedira, e com o qual não concorda. E como ela faz isso? Procurando em outro homem aquilo que Nacib se recusa a lhe dar. Gabriela quer sentir de novo. Não importa como. Não importa com quem. É um chamado do corpo, a única linguagem que ela conhece e domina.

Mas para a sociedade ao seu redor, esse chamado tem outro nome: adultério. E assim quando Nacib flagra Gabriela na cama com o conquistador Tonico Bastos (seu padrinho de casamento), a confusão se forma. Tonico é expulso da cidade; Nacib pede a anulação de seu casamento com Gabriela. Gabriela sai de casa. E o nó do casamento se desata. Mas Nacib e Gabriela não ficam separados por muito tempo.

Na parte final do romance, Nacib abre um restaurante na cidade em parceria com o político progressista Raimundo/Mundinho Falcão, vencedor da disputa política contra o coronelismo. Gabriela é contratada para ser a cozinheira do novo lugar. Completa-se então um ciclo, com o império dos sentidos atacando novamente. Mais cheiros e mais sabores, e a beleza cor de terra de Gabriela seduzindo novamente o já apaixonado Nacib. A morena e o sírio, então, retomam o tórrido caso amoroso do início da história.

Gabriela, senhora de si, poderosa em sua simplicidade, e com um poder muito simples nas mãos – o próprio sexo. Uma mulher que sem fazer nada mais do que sempre fez, fez tudo que uma mulher do seu tempo não teria coragem de fazer. Uma mulher forte a seu modo, determinada a seu modo – e que a seu modo, acabou vencendo.

(todas as imagens by Google)
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quarta-feira, 6 de outubro de 2010

Teste de LOUCURA... e de ARTE

BLOG INTERLUDE

Achei no queridíssimo blog A culpa é do arroz, e achei divertido. Adoro testes...o nome desse é

QUE GÊNIO LOUCO É VOCE?

Eu me aventurei a fazer e olha no que deu...o que voces acham? Tem a ver comigo (sem contar os bigodes...)?
Se estiverem a fim o link está embaixo da imagem.
Volto num piscar de luzes....






Faça você também Que
gênio-louco é você?
Uma criação de O Mundo Insano da Abyssinia

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segunda-feira, 4 de outubro de 2010

SO CRUEL...SO TRUE (mais uma de nossas verdades mais feias...)




Há coisas que não queremos que aconteça, mas temos que aceitar;
Coisas que não queremos saber, mas temos que aprender;
E pessoas sem as quais não vivemos, mas temos que deixar para trás.

Ditado inglês, de autor deconhecido.

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sábado, 2 de outubro de 2010

NEGATIVO


Mulher_voa 

SE me virasse do avesso,
como  um recomeço
da minha existência
seria aquela que não grita
a que não chora nem facilita
a maledicência…
mas passaria pela vida
com tão poucas memórias
e tantos arrependimentos…
de todos os momentos
de todas as histórias
a palavra que é dita
é que é o som do tempo.


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