Ela apareceu na cozinha, pronta para o abate. Ele deu tres pulos pra trás. O que era aquilo? Onde estava a menina que conhecia desde o primário, que achava um absurdo mini-saia e unha feita? Foi a primeira coisa que notou, unhas vermelhas como sangue de carne crua. Viu também os cabelos que ela nunca soltava caídos até os ombros; O batom vermelho em riste, como as unhas. E depois, bem depois, notou o vestido. Parecia inteiramente tingido de vinho tinto. Um salto de luz diante da pele clara. E ainda tinha aqueles olhos agora mais azuis que a noite, olhando-o fixamente. Por que? **** Parecia uma maré alta. Ou uma febre. Não sabia bem. Quando olhou nos seus olhos, percebeu que ele também não sabia. Não importava. Precisava, por um momento, saber como era. Ser olhada. Desejada. Ou pelo menos, ser capaz de surpreender. Foram tres anos de uma vida que ela pensava que queria. Camila tinha essa sensação de que tudo passou depressa, sem nenhum sentido, sem que ela pudesse captar o seg...
Comentários
Que poesia linda!
Existem momentos que nos sentimos assim, mesmo. A falta de alguém que nos veja, nos escute, e nos complete.
Existem pessoas que se dizem independentes, que se bastam sozinhas, mas só quem já amou um dia sabe o quanto é importante ter ao lado uma pessoa especial, a quem podemos compartilhar nossa vida.
Adoro aquela música "Emoções" do Roberto Carlos, justamente, porque ele diz que não importa o sorriso ou o choro, mas o que importa são as emoções sentidas...
Sentir emoções é viver, e sempre sentimos falta delas...
Estava com saudades daqui...
Beijo grande.
Ninguém é feliz sozinho. Pelo menos, não o tempo todo.
Adorei! Bjinho.