PECADORES CONFESSOS...

domingo, 21 de março de 2010

No próximo Mulheres de Shakespeare...(Aquecendo II)



Era um homem triste, sozinho
um príncipe estranho no ninho.
Até que no sopro do infinito
aparece-lhe o pai, em espirito
precipitando a revelação
de que sua morte foi traição

num espectro feito de luz,
diz o rei, "faz-me jus!"
"honra o sangue descarnado
por mesmo sangue derramado!"
e eis que o fraterno usurpante
toma a rainha como amante
tem o trono anunciado

Salve Hamlet, príncipe herdeiro
do ser e não ser, pioneiro
da palavra estremecida
vingador de alma perdida
pensador do próprio reino

Salve suas duas damas
bem e mal-interpretadas
salve Ofélia, a acanhada
alvo de seus vis amores
filha de um dos senhores:
Polônio, o cão-de-guarda

E a rainha-mãe condenada
por seu filho, encarcerada
em desejos e promessas
víuva e casada às pressas
silenciosa e encantada

e o espectro feito de luz
suplica sempre: "faz-me jus!"

Eis que Hamlet enlouquecido
em seu teatro ensandecido
com suas vãs filosofias
tem no foco da histeria
o nobre Claudio, fratricida
rei por força de medida

Sai Polonio, apunhalado
pelo príncipe desgarrado;
vai-se Ofélia, desconcertada
em si mesma afogada
por ódio, por amor, por nada...

E eis que a ponta da espada
por ardil envenenada
mata o Hamlet, quase guerreiro
senhor de sua jornada
 a loucura do seu reino
varre a vida, e a história
pelas vozes da memória
em silêncio é repetida.

By Claudinha M.

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